
Fertilizante nitrogenado é desenvolvido na USP
Ascom/SeagriSP
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) criaram um fertilizante nitrogenado multinutriente de eficiência aumentada, que promete reduzir significativamente as perdas de nutrientes no solo e melhorar o rendimento das lavouras.
De acordo com Bruno Cassim, doutorando pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP e um dos responsáveis pela patente deste fertilizante, a produção agrícola cresceu nas últimas décadas, impulsionada principalmente pelo uso de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, amplamente utilizada em todo o mundo.
“A ureia é o fertilizante nitrogenado mais popular para o fornecimento de nitrogênio às plantas. Entretanto, quando aplicada sobre a superfície do solo, a ureia pode ser hidrolisada pela enzima urease e perdida por volatilização de amônia, causando então prejuízos econômicos para os agricultores e contaminação de ecossistemas aquáticos e terrestres”, diz.
Para solucionar o problema da volatilização, comum no setor, a equipe de pesquisadores combinou a ureia com micronutrientes e o estabilizador NBPT. Cassim explica que a nova formulação tem o objetivo de minimizar as perdas de nitrogênio, garantindo maior aproveitamento do fertilizante e aumento da produtividade no campo. “Com a adição do NBPT e micronutrientes em macro ou nanoescala nos grânulos de ureia conseguimos diminuir as emissões gasosas de nitrogênio e aumentar a disponibilidade de nutrientes para as plantas”, explica.
Conforme o especialista, a tecnologia é voltada para agricultores e empresas do agronegócio, abrangendo tanto grandes quanto pequenos produtores. O fertilizante pode ser utilizado no momento da semeadura para fornecer nitrogênio e micronutrientes essenciais ao crescimento inicial das plantas, mas ele explica que a recomendação principal é seu uso na adubação de cobertura, em que a ação na redução das perdas por volatilização é mais eficiente.
De acordo com Cassim, o fertilizante encontra-se atualmente em fase de testes e desenvolvimento. Ele explica que foram realizados estudos em laboratório e em campo, e os resultados têm sido animadores até o momento. No entanto, o pesquisador afirma que algumas interações físico-químicas entre o estabilizador NBPT e os micronutrientes precisam ser mais bem compreendidas antes que o produto seja disponibilizado comercialmente.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

