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Petrobras retoma produção de fertilizantes em fábricas do Nordeste

Unidades na Bahia e em Sergipe receberam R$ 76 milhões em investimentos; operação reduzirá dependência de importação de ureia no agronegócio

VIVIANE TAGUCHI

13/01/2026 • 15:55 • Atualizado em 13/01/2026 • 15:55

Fábrica de fertilizantes da Petrobras em Camaçari (BA)

Fábrica de fertilizantes da Petrobras em Camaçari (BA)

Divulgação/Petrobras

Resumo

Anúncio da Petrobras prevê retomada das operações de duas fábricas de fertilizantes nitrogenados na Bahia e Sergipe, com investimento total de R$ 76 milhões, visando reduzir a dependência externa de ureia no agronegócio e criar cerca de 5.400 empregos diretos e indiretos nas regiões.

Produção nacional de amônia, ureia e ARLA 32 será ampliada, com capacidade diária de 1.800 toneladas em Sergipe (7% do mercado nacional) e 1.300 toneladas na Bahia (5% da demanda), além de facilitar a logística via Terminais Marítimos de Amônia e Ureia no Porto de Aratu.

Fortalecimento da indústria nacional permitirá suprimento de até 20% da demanda brasileira de ureia pelas fábricas do Nordeste e do Paraná, com expectativa de elevar a produção para 35% nos próximos anos, reduzindo a dependência de importações e protegendo o setor agrícola das oscilações do mercado internacional.

A Petrobras anunciou, nesta terça-feira (13), que retomará as operações de duas fábrias de fertilizantes nitrogenados na região Nordeste. O investimento total é de R$ 76 milhões - R$ 38 milhões para cada unidade - uma na Bahia e uma em Sergipe. O objetivo da reativação é reduzir a dependência externa de fertilizantes como a ureia no agronegócio.

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A reativação das unidades industrializa o gás natural nacional e promete aliviar o bolso do produtor rural, reduzindo o custo de produção de alimentos. A retomada movimenta a economia local, com a criação de 1.350 empregos diretos e cerca de 4.050 indiretos nas regiões das plantas industriais.

Em Sergipe, a fábrica está localizada no município de Laranjeiras, e já opera em ritmo acelerado. A produção de amônia foi reiniciada ainda em 31 de dezembro, seguida pela produção de ureia no dia 3 de janeiro. Já a unidade da Bahia, situada no Polo Petroquímico de Camaçari, finalizou a manutenção em dezembro e está em fase de comissionamento (testes finais), com previsão de entregar ureia ao mercado até o final deste mês.

Capacidade produtiva e impacto no mercado

A entrada dessas fábricas no sistema produtivo altera significativamente a oferta de fertilizantes nitrogenados no país. Juntas, as duas fábricas vão produzir amônia, ureia e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), insumo vital para o transporte de cargas, pois reduz a emissão de poluentes em motores a diesel.

A unidade de Sergipe possui capacidade para entregar 1.800 toneladas de ureia por dia. Sozinha, ela representa o equivalente a 7% do mercado nacional. A unidade da Bahia tem capacidade para 1.300 toneladas diárias, correspondendo a 5% da demanda do país. Além da fábrica, a operação baiana engloba os Terminais Marítimos de Amônia e Ureia no Porto de Aratu, em Candeias, facilitando a logística de distribuição.

William França, diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, projeta um cenário de fortalecimento da indústria nacional. Segundo o executivo, as duas unidades do Nordeste, somadas à Araucária Nitrogenados S.A (ANSA) — fábrica da estatal no Paraná —, serão responsáveis por suprir 20% de toda a demanda de ureia do Brasil. Ele ainda revela planos de expansão para o futuro próximo. "A nossa expectativa é elevar a produção nacional para 35% nos próximos anos, com uma nova planta em construção no Mato Grosso do Sul", afirma França.

Redução da dependência externa

Para o produtor rural, a notícia traz uma perspectiva de maior segurança no planejamento da safra. Atualmente, o Brasil é altamente dependente do mercado externo para nutrir suas lavouras. A ureia, essencial para fornecer nitrogênio às plantas e garantir o desenvolvimento de culturas como milho, trigo e pastagens, é um dos itens mais sensíveis a oscilações de câmbio e geopolítica. "Atualmente, toda a ureia consumida no Brasil é importada. Com a retomada da produção nacional, a Petrobras amplia a oferta do insumo no mercado interno, reduz a dependência externa e fortalece a cadeia produtiva do agronegócio", enfatiza William França.

Além do uso agrícola como fertilizante, a ureia produzida também será destinada à alimentação de ruminantes (pecuária), e poderá atender indústrias têxteis, de tintas e de papel e celulose. A estratégia da Petrobras consiste em utilizar o gás natural como principal matéria-prima. Isso permite alocar o gás produzido pela própria companhia de forma eficiente, gerando valor agregado dentro do país em vez de apenas exportar a commodity bruta ou reinjetá-la nos poços.

Essa verticalização da produção garante que insumos estratégicos sejam feitos em solo brasileiro, protegendo parcialmente o agronegócio das flutuações severas do mercado internacional.