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Polos de irrigação elevam o PIB per capita em municípios rurais do Brasil

Governo Federal reconhece 16 polos que organizam a gestão da água, impulsionam a economia local e reduzem a dependência de auxílios

Da redação
DA REDAÇÃO

13/05/2026 • 15:35 • Atualizado em 13/05/2026 • 15:35

Polo de irrigação movimenta a economia de cidades ligadas ao agro

Polo de irrigação movimenta a economia de cidades ligadas ao agro

Divulgação/ABID

Os polos de agricultura irrigada no Brasil estão transformando a realidade econômica e social do campo. Atualmente, o país conta com 16 unidades reconhecidas pelo Governo Federal, que funcionam sob a lógica de gestão sustentável de bacias hidrográficas. Além de organizar o uso da água, essas estruturas impulsionam a produção agrícola, elevando o Produto Interno Bruto (PIB) per capita de municípios rurais em até 256%.

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Segundo Everardo Mantovani, Professor Titular Sênior da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e conselheiro da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID), a irrigação não cresce no improviso. "Ela cresce onde existe organização do uso da água", afirma o especialista. Os polos reúnem produtores, instituições de pesquisa e órgãos governamentais para planejar a atividade de acordo com as características hídricas de cada território.

O impacto socioeconômico no campo

Uma pesquisa realizada pela Abimaq, em parceria com a ESALQ/USP, comprovou que o investimento em irrigação traz benefícios que ultrapassam as porteiras das fazendas. Em regiões onde os polos estão consolidados, observa-se maior circulação de dinheiro no comércio local e menor dependência de programas de transferência de renda governamentais.

"A água entra na lavoura e o dinheiro circula na cidade", resume Mantovani. Onde a gestão hídrica é eficiente, o avanço é acompanhado por melhorias na logística, infraestrutura de armazenagem e tecnologia, gerando novas oportunidades de trabalho qualificado.

Hoje, essas áreas estratégicas estão presentes em estados como Bahia, Ceará, Goiás e Rio Grande do Sul. Um exemplo de reorganização bem-sucedida é o Polo de Irrigação do Planalto Central de Goiás, que concentra ações em sete cidades com alta demanda hídrica, incluindo Cristalina e Catalão.

Potencial de expansão da agricultura irrigada

Apesar do sucesso dos polos atuais, o Brasil ainda tem um vasto campo para crescer. Atualmente, o país irriga cerca de 10 milhões de hectares, mas estimativas técnicas indicam um potencial para atingir até 60 milhões de hectares. Para que essa expansão ocorra de forma sustentável, especialistas defendem que a governança hídrica deve ser a prioridade.

Dados do setor apontam que a Bacia do Rio Paraná concentra 45% dos pivôs centrais do país, seguida pela Bacia do São Francisco, com quase 30%. Essas são regiões onde o uso da água já é mais planejado e monitorado.

A ABID, que atua há 50 anos no setor, reforça que a irrigação moderna é sinônimo de eficiência e combate ao desperdício. Para o futuro, o desafio é levar o modelo de gestão organizada dos polos para novas fronteiras agrícolas, garantindo segurança alimentar e desenvolvimento regional.

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