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Preço do açúcar cai em SP com oferta de produto de menor qualidade

Valor da saca recua para R$ 107,49 no início de janeiro. Entenda como a entrada de um açúcar mais 'escuro' no mercado puxou a média para baixo

Da redação
DA REDAÇÃO

13/01/2026 • 17:40 • Atualizado em 13/01/2026 • 17:40

O fluxo de oferta e demanda tende a se normalizar com a retomada das atividades das usinas

O fluxo de oferta e demanda tende a se normalizar com a retomada das atividades das usinas

Magda Cruciol/Embrapa

Resumo

O mercado de açúcar cristal branco em São Paulo registrou queda de 2,28% no preço médio da saca de 50 kg entre 5 e 9 de janeiro, conforme o Cepea, enquanto o volume de negociações aumentou com a retomada das atividades industriais após o recesso de fim de ano.

A redução nos preços foi influenciada pelo aumento da oferta de açúcar de qualidade inferior (até 180 Icumsa), que possui menor valor de mercado, enquanto o açúcar de melhor qualidade (até 150 Icumsa) manteve preços mais altos devido à sua maior pureza e demanda de setores específicos, como indústrias de bebidas e farmacêuticas.

A dinâmica de preços reflete a diferenciação técnica baseada na escala Icumsa, sendo essencial para produtores e indústrias acompanharem o comportamento do mercado, já que a pressão de oferta do produto inferior pode influenciar as cotações, exigindo atenção à gestão de estoques e à classificação do açúcar para aproveitar oportunidades de venda de lotes superiores.

O mercado de açúcar cristal branco no estado de São Paulo registrou um movimento misto na primeira semana completa de janeiro, com queda nos preços médios aliada a uma recuperação no volume de negociações. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Indicador CEPEA/ESALQ recuou 2,28% no período entre 5 e 9 de janeiro. A saca de 50 kg fechou com média de R$ 107,49.

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Apesar da baixa nas cotações, o setor observou um aquecimento nas transações comerciais. Isso ocorre devido à retomada das atividades industriais após o recesso de fim de ano. Com as fábricas voltando a operar plenamente, o fluxo de oferta e demanda tende a se normalizar, movimentando os estoques e gerando novos contratos no mercado paulista.

Qualidade do produto impacta cotações

A variação negativa no preço não reflete necessariamente uma falta de interesse comprador, mas sim uma mudança no perfil do produto disponível. De acordo com os pesquisadores do Cepea, a queda no valor médio foi influenciada diretamente pelo aumento na disponibilidade de açúcar com qualidade inferior. Houve uma maior oferta do tipo com coloração até 180 Icumsa no mercado spot (pronta entrega).

Como esse tipo de açúcar possui menor valor agregado, sua maior presença nas negociações acabou puxando a média do indicador para baixo. Por outro lado, o levantamento aponta que o açúcar de melhor qualidade segue valorizado. O produto classificado com até 150 Icumsa tem sido comercializado a patamares de preços relativamente mais elevados, descolando-se da média geral. Isso demonstra que o mercado continua pagando um prêmio pela qualidade superior, essencial para indústrias que exigem um produto mais puro e branco.

Entenda a classificação Icumsa

Para compreender a dinâmica de preços do açúcar, é fundamental entender o termo técnico Icumsa (International Commission for Uniform Methods of Sugar Analysis). Essa sigla define a escala internacional utilizada para medir a cor e a pureza do açúcar.

A regra é inversa: quanto menor o número Icumsa, mais branco e puro é o açúcar.

Açúcar até 150 Icumsa: É mais claro, possui maior grau de refinamento e, consequentemente, é considerado de maior qualidade e valor de mercado.

Açúcar até 180 Icumsa: Apresenta uma coloração levemente mais escura (creme) e menor pureza, sendo negociado a preços mais baixos.

Essa diferenciação é crucial para o produtor e para a indústria de alimentos. Empresas de bebidas e farmacêuticas, por exemplo, demandam açúcares com baixíssimo índice Icumsa. Já outros setores da indústria alimentícia podem absorver o produto com índices mais altos, aproveitando o custo menor.

Perspectivas para o mercado

O cenário atual reflete o ajuste natural do início de ano. A volta das negociações com maior liquidez sinaliza que o mercado está ativo. No entanto, a pressão de oferta do produto de menor qualidade serve de alerta para os produtores quanto à gestão de estoques e classificação do produto.

O Cepea informou que continuará monitorando o fluxo de comercialização nas próximas semanas. A expectativa é observar se a demanda pelo açúcar de alta qualidade será suficiente para reverter a tendência de baixa no indicador geral ou se a oferta do tipo 180 continuará predominante. Para o produtor rural e as usinas, o momento exige atenção às oportunidades de venda, especialmente para lotes com especificações técnicas superiores.

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