Agroband

Preço do arroz no Rio Grande do Sul sobe mais de 11% em março

Cotações avançam com demanda firme e baixa liquidez, mas valores atuais ainda não garantem rentabilidade ao produtor gaúcho

Da redação
DA REDAÇÃO

01/04/2026 • 11:02 • Atualizado em 01/04/2026 • 11:02

Imagem gerada por inteligência artificial

Resumo

Alta nos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul superou 11% em março de 2026, impulsionada por demanda firme e oferta restrita, com liquidez baixa devido à postura cautelosa dos produtores rurais.

Descompasso entre preços de venda e custos de produção motivou retração dos produtores, resultando em negociações pontuais e pequenos volumes, sendo mais ativos apenas os agentes com necessidade imediata de caixa.

Rentabilidade dos orizicultores gaúchos permanece pressionada, pois a valorização do produto não acompanha o aumento das despesas operacionais, mantendo o setor em cautela e impactando o ritmo dos preços ao consumidor final.

Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul registraram uma alta superior a 11% em março de 2026, na comparação com o fechamento do mês anterior. O avanço foi impulsionado por uma demanda firme no mercado, embora o volume de negócios tenha permanecido restrito durante todo o período. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a liquidez seguiu baixa devido à postura cautelosa dos produtores.

Compartilhar

Essa retração dos produtores rurais é motivada, principalmente, pelo descompasso entre os preços de venda e os custos de produção. Pesquisadores do Cepea ressaltam que, apesar da valorização observada em março, os valores praticados no mercado spot — termo técnico que define o mercado com entrega e pagamento imediatos — ainda estão abaixo do patamar necessário para assegurar a rentabilidade da atividade rural.

Prioridade na colheita restringe ofertas no mercado

A redução das chuvas no estado permitiu que os produtores priorizassem as atividades de campo, afastando-se das negociações de curto prazo para focar na colheita da safra. Com isso, as transações registradas ao longo do mês ocorreram de forma pontual e envolveram pequenos volumes de grão.

De acordo com a análise do instituto, apenas os agentes com maior necessidade de caixa estiveram mais ativos na ponta vendedora, ainda que comercializando lotes reduzidos. A cautela generalizada entre os participantes do setor reflete o cenário de incerteza quanto ao equilíbrio financeiro das propriedades diante das atuais cotações.

Rentabilidade do orizicultor permanece sob pressão

A alta de 11% nas cotações não foi suficiente para aliviar a pressão sobre as margens de lucro no campo. O Cepea aponta que o setor produtivo gaúcho enfrenta um desafio estrutural, onde a valorização do produto final não acompanha, na mesma velocidade, o aumento das despesas operacionais da lavoura.

O Rio Grande do Sul é o principal estado produtor de arroz no Brasil, e o desempenho das cotações locais dita o ritmo dos preços ao consumidor final nas gôndolas dos supermercados. No momento, a tendência é de manutenção da cautela, com o mercado monitorando o avanço da colheita e a capacidade de absorção desses novos patamares de preço pela indústria e pelo varejo.

Tópicos relacionados