
Rizicultores estão cautelosos e aguardam melhor momento para negociar o cereal
Paulo Rossi/Fedearroz
O mercado de arroz (arroz colhido na lavoura, antes de ser beneficiado) em casca no Rio Grande do Sul registrou negociações limitadas nos últimos dias, influenciado pela retração dos produtores e pela expectativa de leilões oficiais. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o cenário é de queda na liquidez, mesmo com o avanço da colheita de arroz nas principais regiões produtoras gaúchas, que respondem pela maior parte da produção nacional.
A postura defensiva do setor produtivo trava o ritmo de novos negócios. Embora os preços tenham apresentado valorizações recentes, os rizicultores consultados pelo Cepea avaliam que os níveis atuais ainda não cobrem satisfatoriamente os custos de produção. Esse descompasso entre o preço de mercado e a expectativa de rentabilidade limita a entrada de novos lotes no sistema de comercialização.
O comportamento do produtor é típico de momentos em que os preços buscam um novo patamar de equilíbrio. No estado gaúcho, o foco atual se divide entre o trabalho de campo e o monitoramento das cotações. Muitos produtores optam por estocar o grão em vez de realizar vendas imediatas, aguardando janelas de preços mais atrativas para garantir a saúde financeira da safra.
Além da questão financeira, fatores pontuais como o feriado de Sexta-Feira Santa contribuíram para a lentidão das operações na última semana. A expectativa em torno de medidas governamentais e possíveis leilões públicos também mantém o mercado em compasso de espera, já que essas intervenções podem alterar a dinâmica de oferta e demanda no curto prazo.
Cautela da indústria e demanda interna
Do lado da demanda, as indústrias de beneficiamento operam com cautela e compram apenas o necessário para a manutenção de seus estoques imediatos. Os compradores têm evitado grandes aquisições no momento, apostando que a oferta deve aumentar nas próximas semanas com a intensificação da colheita no Rio Grande do Sul.
Há também a percepção de que alguns produtores precisarão fazer caixa em breve para honrar compromissos de custeio, o que forçaria a liberação de mais arroz para o mercado. Essa queda de braço entre a necessidade de reposição das indústrias e a retenção por parte dos agricultores mantém o mercado estagnado e com pouca efetividade nas negociações.
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