O excesso de chuvas em grande parte do Brasil impactou diretamente o bolso do consumidor no mês de fevereiro. Enquanto o preço das verduras e hortaliças registrou alta devido às perdas no campo, o mercado de frutas apresentou uma trajetória inversa, com quedas significativas em itens populares como a banana e a maçã.
A variação foi detalhada em levantamento realizado nos principais mercados atacadistas do país. O cenário reflete a sensibilidade do setor hortifruti às condições climáticas, que interferem não apenas no valor final, mas também no padrão de qualidade dos produtos que chegam às gôndolas.
Impacto das chuvas em legumes e verduras
As chuvas intensas nas regiões produtoras comprometeram as colheitas e reduziram a oferta de diversos produtos. De acordo com o jornalista Valteno de Oliveira, do AgroBand, o impacto é percebido inicialmente nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) antes de chegar aos supermercados.
A batata inglesa foi um dos itens que mais encareceu, com um aumento médio de 11,70% na maioria das Ceasas pesquisadas. O tomate, produto de alta sensibilidade ao excesso de umidade, voltou a registrar alta, com elevação de 5,20%. Já a alface teve um reajuste de 2,02% em relação ao mês de janeiro.
O excesso de água no solo e a falta de luminosidade são fatores que "castigam" as folhosas e legumes. Quando a umidade é excessiva, as plantas ficam mais suscetíveis a doenças e o tempo de conservação pós-colheita diminui drasticamente, o que força o aumento dos preços para compensar as perdas dos produtores.
Queda no preço das frutas favorece o consumidor
Apesar da pressão inflacionária nos legumes, o setor de frutas trouxe alívio para o orçamento doméstico. A banana foi o grande destaque positivo do mês, com uma queda de 11,16%. A maçã também ficou mais acessível, registrando redução de 10,32% em seu valor de mercado.
Outras frutas que apresentaram recuo nos preços foram:
- Mamão papaia: queda de 7,52%
- Cebola: redução de 5,52%
- Cenoura: recuo de 1,23%
A laranja, embora tenha mantido uma estabilidade relativa com redução de apenas 0,06%, também segue uma tendência de baixa em variedades como a Laranja Bahia e o limão taiti.
Essa deflação no setor de frutas é explicada, em parte, pelo ciclo de safra de algumas culturas e pela maior resistência de certas frutas às variações climáticas quando comparadas às hortaliças frágeis. Para o consumidor, a orientação é priorizar os itens da estação para garantir produtos de melhor qualidade nutricional e menor impacto financeiro.
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