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Preço do suíno cai 20% e setor teme impactos do conflito no Oriente Médio

Recuo nas cotações em fevereiro atinge R$ 6,91/kg em São Paulo; crise internacional ameaça custos de frete e seguros marítimos para exportação

Da redação
DA REDAÇÃO

05/03/2026 • 11:43 • Atualizado em 05/03/2026 • 11:43

Reprodução/Agro+

O preço médio do suíno vivo registrou uma queda de 20% em fevereiro de 2026 no estado de São Paulo em comparação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a desvalorização reflete uma retração na procura industrial por lotes no mercado independente.

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A cotação do animal vivo na região paulista fechou o mês com média de R$ 6,91/kg. O valor representa uma baixa expressiva de 16,1% em relação aos R$ 8,24/kg registrados em janeiro de 2026. Em fevereiro de 2025, o preço médio praticado era de R$ 8,66/kg.

Desajuste na oferta interna

De acordo com os pesquisadores do setor, o movimento de queda foi impulsionado pelo desarranjo entre a oferta e a demanda interna. A menor busca das indústrias por animais no mercado independente gerou um acúmulo de oferta, pressionando os preços para baixo nas principais praças de São Paulo.

A praça SP-5, que engloba as regiões de Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, foi o principal termômetro dessa redução. Agentes do mercado afirmam que a velocidade da queda em fevereiro surpreendeu o setor produtivo.

Impactos do conflito no Oriente Médio

Para o mês de março, as preocupações do agronegócio brasileiro se voltam para o cenário geopolítico internacional. O agravamento dos conflitos no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, gera estado de alerta entre os exportadores de carne suína.

Embora a região não seja um destino direto de grande volume para a proteína suína brasileira devido a questões religiosas, o impacto logístico é severo. O fechamento de canais estratégicos de escoamento na região compromete as rotas marítimas globais.

Custos de exportação em alta

O principal temor dos agentes consultados pelo Cepea é o aumento nos valores dos fretes e dos seguros marítimos. Com o risco de o conflito se alastrar para outros países, as operadoras de logística tendem a elevar as taxas de transporte internacional.

Essa elevação de custos operacionais pode reduzir a competitividade do produto brasileiro no mercado externo e comprimir ainda mais as margens de lucro dos produtores. O setor segue monitorando a estabilidade das rotas de navegação para garantir o fluxo das vendas internacionais programadas para o semestre.