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Preço do trigo diverge entre estados brasileiros em fevereiro, diz Cepea

Estoques confortáveis pressionam cotações no Paraná e Santa Catarina, enquanto São Paulo e Rio Grande do Sul registram altas mensais

Da redação
DA REDAÇÃO

03/03/2026 • 10:34 • Atualizado em 03/03/2026 • 10:34

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Resumo

O levantamento do Cepea mostrou variações opostas nos preços do trigo entre regiões produtoras do Brasil entre janeiro e fevereiro de 2026, com quedas em Santa Catarina e Paraná e altas em São Paulo e Rio Grande do Sul.

A diferença nos movimentos de preços foi atribuída à oferta regional de estoques e à postura dos produtores, sendo que em SC e PR o recuo refletiu estoques confortáveis e baixa demanda imediata, enquanto em SP e RS a limitação de oferta pelos vendedores sustentou as valorizações.

O cenário para o triticultor brasileiro permanece de ajuste, com preços ainda inferiores aos de 2025 em todas as regiões, e especialistas recomendam atenção ao momento de venda e à cotação do dólar, que afeta a competitividade frente ao produto importado.

Os preços médios do trigo apresentaram movimentos distintos entre as principais regiões produtoras do Brasil na transição de janeiro para fevereiro de 2026. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o mercado nacional operou em duas frentes: queda nos estados de Santa Catarina e Paraná e valorização em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

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Essa divergência regional reflete estratégias diferentes entre compradores e vendedores, além da disponibilidade de produto estocado em cada localidade. Enquanto em algumas praças a oferta é abundante, em outras, a postura mais firme dos produtores tem conseguido sustentar os valores no mercado físico (spot).

Queda no Paraná e em Santa Catarina

Nos estados de Santa Catarina e do Paraná, as médias mensais recuaram em relação a janeiro. De acordo com os pesquisadores do Cepea, essa pressão negativa é resultado de estoques considerados confortáveis para o período.

Além disso, os moinhos e demais demandantes demonstraram baixa necessidade de realizar novas compras imediatas no mercado spot. O spot é o termo técnico para o mercado de pronta entrega, onde a mercadoria é negociada para pagamento e retirada imediata, diferentemente dos contratos futuros.

Em Santa Catarina, o preço médio fechou fevereiro em R$ 1.146,62 por tonelada. O valor representa uma queda de 1,1% frente a janeiro de 2026. Quando comparado ao mesmo período do ano passado, a retração é ainda mais expressiva, atingindo 18% em relação a fevereiro de 2025.

No Paraná, a média mensal foi de R$ 1.169,18 por tonelada. O índice aponta um recuo de 0,8% no mês e uma desvalorização de 17,6% no acumulado de doze meses.

Reação em São Paulo e Rio Grande do Sul

Diferentemente do cenário observado no Sul do país, São Paulo e Rio Grande do Sul registraram avanços nas cotações mensais. Nestas regiões, o suporte para os preços veio da postura mais "firme" do vendedor, que optou por limitar o volume de trigo disponível para venda imediata.

Essa retenção por parte dos produtores, somada às perspectivas de que a demanda possa crescer no curto prazo, impulsionou os negócios. Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.291,83 por tonelada, um avanço de 2,8% em comparação a janeiro. Apesar da recuperação mensal, o valor paulista ainda segue 18,5% abaixo do registrado em fevereiro de 2025.

Já no Rio Grande do Sul, a média de fevereiro ficou em R$ 1.073,10 por tonelada. O estado registrou uma alta mensal de 2,1%, embora ainda acumule uma queda anual de 17,3% em termos reais, quando descontada a inflação do período.

Cenário para o triticultor

O levantamento do Cepea reforça um momento de ajuste para o triticultor brasileiro. Embora as altas em SP e RS tragam um fôlego momentâneo, o cenário anual ainda é de preços significativamente menores do que os praticados no ano anterior em todas as regiões acompanhadas.

Especialistas do setor indicam que o produtor deve monitorar de perto as janelas de comercialização e o comportamento do dólar, que influencia diretamente a paridade de importação e a competitividade do trigo nacional frente ao cereal vindo da Argentina e de outros mercados globais.

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