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Preços do etanol se mantêm firmes em São Paulo durante a entressafra

A baixa oferta de biocombustível no mercado paulista e a valorização do petróleo no cenário internacional sustentam as cotações do setor

Da redação
DA REDAÇÃO

17/03/2026 • 11:07 • Atualizado em 17/03/2026 • 11:07

José Cruz/Agência Brasil

Resumo

O mercado de etanol em São Paulo apresenta preços sustentados em março devido à entressafra da cana-de-açúcar na região Centro-Sul, restringindo a oferta nas usinas e influenciando negociações firmes por parte dos agentes do setor.

O cenário internacional, marcado pela alta do petróleo causada por conflitos no Oriente Médio, impacta diretamente os biocombustíveis, enquanto distribuidoras adotam postura cautelosa, comprando apenas volumes necessários e aguardando definições sobre políticas de preços da Petrobras e o contexto global.

Os indicadores mostram leve alta de 0,30% no etanol hidratado, cotado a R$ 2,9439 por litro, e estabilidade com viés de baixa no etanol anidro, cotado a R$ 3,2731 por litro; as perspectivas para o setor dependem do início da nova safra, questões tributárias e decisões governamentais, além da eficiência na gestão de estoques durante o período de transição.

O mercado de etanol no estado de São Paulo opera com preços sustentados neste mês de março. O movimento reflete o período de entressafra da cana-de-açúcar na região Centro-Sul, momento em que a disponibilidade do produto nas usinas é naturalmente mais restrita.

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De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, os agentes das usinas paulistas mantêm uma postura firme nas negociações. Esse posicionamento é reforçado não apenas pela menor oferta interna, mas também pela instabilidade no mercado global de energia.

Fatores externos e comportamento do mercado

A alta nos preços do petróleo, impulsionada pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, exerce influência direta sobre os biocombustíveis. Quando o petróleo sobe, a tendência é que os combustíveis derivados e seus substitutos acompanhem a valorização, mantendo a competitividade no setor energético.

Para quem não está familiarizado com o termo, a entressafra no agronegócio é o período entre o fim da colheita de uma safra e o início da próxima. No caso da cana em São Paulo, é o momento em que as usinas realizam a manutenção das máquinas e dependem do estoque acumulado para abastecer o mercado.

Do lado da demanda, os pesquisadores do Cepea classificam a procura pelo biocombustível como razoável. No entanto, o clima entre as distribuidoras ainda é de cautela. As empresas aguardam definições mais claras sobre as políticas de preços da Petrobras e o desenrolar do cenário global antes de realizarem grandes compras.

Indicadores e variações de preços

As distribuidoras têm optado por adquirir apenas os volumes necessários para atender às demandas imediatas. Essa estratégia visa evitar a exposição a riscos em um momento de incerteza econômica e variações rápidas nas cotações internacionais.

Entre os dias 9 e 13 de março, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado — aquele utilizado diretamente nos tanques dos veículos flex — fechou em R$ 2,9439 por litro no estado de São Paulo. O valor representa uma leve alta de 0,30% em comparação à semana anterior.

Já o etanol anidro, que é o biocombustível misturado à gasolina, apresentou um comportamento de estabilidade com viés de baixa. O Indicador CEPEA/ESALQ para este produto foi de R$ 3,2731 por litro, registrando um recuo marginal de 0,02% no mesmo período de comparação.

Perspectivas para o setor sucroenergético

A expectativa agora se volta para o início da nova safra de cana-de-açúcar, previsto para as próximas semanas. A entrada de novo volume de matéria-prima nas usinas costuma elevar a oferta e pode trazer novos equilíbrios para os preços praticados nas bombas e nas refinarias.

Além do cenário produtivo, o setor monitora atentamente as questões tributárias e as decisões governamentais que impactam o custo final dos combustíveis. O equilíbrio entre o preço do hidratado e da gasolina nas bombas continua sendo o principal driver para o consumo de etanol pelo motorista brasileiro.

Para o produtor rural e para a indústria, este período de transição exige gestão eficiente de estoque. A capacidade de segurar o produto durante a entressafra permite que as usinas aproveitem momentos de preços mais remuneradores, compensando os custos operacionais mais elevados do período.