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Previsão 2026: ano terá mais eventos climáticos extremos que 2025

Meteorologistas alertam para cenário ‘conturbado’ com calor fora de época e transição de La Niña para El Niño; agro deve redobrar atenção

Da redação
DA REDAÇÃO

13/01/2026 • 16:12 • Atualizado em 13/01/2026 • 16:12

Oscilações de El Niño e La Niña são previstos para 2026

Oscilações de El Niño e La Niña são previstos para 2026

José Fernando Ogura/AEN

Resumo

Ano de 2026 será marcado por alternância entre La Niña e El Niño, provocando temperaturas acima da média e chuvas irregulares, segundo análise da Climatempo, com impactos significativos para agronegócio, energia e logística.

Verão terá influência do La Niña, com chuvas mal distribuídas e ondas de calor, dificultando a recuperação de reservatórios, especialmente no Sudeste, Centro-Oeste e Sistema Cantareira, além de transição rápida para frio curto e retorno do calor no Centro-Sul a partir de julho.

Formação do El Niño no segundo semestre trará calor intenso e chuvas fora de época no Matopiba, elevando riscos para o plantio; Sul enfrentará excesso de chuvas e eventos extremos como temporais e granizo, enquanto a Amazônia terá cheia acentuada seguida de queda nos níveis dos rios, mas sem prejuízo à logística fluvial.

A previsão do tempo para 2026 indica um cenário climático ainda mais desafiador do que o registrado no ano anterior, marcado pela alternância entre os fenômenos La Niña e El Niño, segundo análise divulgada pela Climatempo nesta terça-feira (13). Segundo o meteorologista Vinicius Lucyrio, o ano deve ter um calendário de temperaturas acima da média e chuvas irregulares, o que exige atenção redobrada do agronegócio e do setor energético ao longo dos próximos 12 meses.

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De acordo com a consultoria, o ano será caracterizado por oscilações oceânicas e atmosféricas intensas. Isso deve provocar calor fora de época e temperaturas elevadas na maior parte do período, intercaladas com episódios de frio intenso no início do inverno.

Para o produtor rural, essa volatilidade significa um risco maior no planejamento do plantio e da colheita. A instabilidade dificulta previsões de longo prazo e reforça a necessidade de monitoramento constante. Segundo Lucyrio, os setores mais vulneráveis a essa "gangorra" climática são justamente o agronegócio, a geração de energia e a logística.

Verão irregular e impacto nos reservatórios

O ano começa sob influência do La Niña, que atinge seu pico de intensidade. No entanto, os modelos meteorológicos apontam que as chuvas de verão não terão a regularidade necessária. A previsão indica uma alternância entre ondas de calor e precipitações fortes, mas mal distribuídas. Essa condição preocupa especialistas quanto à recuperação dos níveis dos reservatórios.

No subsistema Sudeste e Centro-Oeste, responsável por 70% da geração hidrelétrica nacional, as chuvas devem ser volumosas nas bacias dos rios Grande e Paranaíba. Porém, intercaladas com períodos secos. Lucyrio avalia que as cotas das represas subirão gradualmente até o início do inverno, mas provavelmente não atingirão a reposição ideal. O mesmo cenário de alerta vale para o Sistema Cantareira, em São Paulo.

Transição e frio curto no Centro-Sul

O fim do verão e o início do outono podem trazer um período úmido acima do normal. Isso ocorre devido ao aquecimento do Oceano Pacífico durante a fase de neutralidade climática. Entre maio e o início de julho, o Centro-Sul do Brasil deve enfrentar extremos de temperatura. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e toda a região Sul sentirão quedas significativas nos termômetros. No entanto, o frio deve durar pouco. A partir da segunda quinzena de julho, o calor volta a prevalecer e deve se estender por toda a primavera, avançando antes mesmo do fim oficial do inverno.

Retorno do El Niño e alerta para o Matopiba

A partir de meados de julho, o cenário muda com a formação do El Niño. O aquecimento das águas do Pacífico equatorial trará um segundo semestre fora dos padrões normais. Agosto deve marcar o início de novas ondas de calor, com temperaturas que podem ficar cerca de 5°C acima da média histórica entre setembro e outubro.

Para a região do Matopiba — nova fronteira agrícola que engloba partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, há um alerta específico. A previsão indica chuvas fora de época em agosto e setembro, acompanhadas de muito calor. Essa condição pode criar uma "falsa janela" de plantio.

O produtor deve ter cautela: a chuva neste período não tende a ser regular, o que pode prejudicar o desenvolvimento inicial das lavouras caso a semeadura seja antecipada sem planejamento técnico.

Riscos extremos no Sul do Brasil

Enquanto o Centro do país lida com o calor, o Sul deve enfrentar excesso de água no segundo semestre. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, bloqueios atmosféricos tendem a provocar chuvas muito acima da média.

O risco de eventos extremos aumenta consideravelmente a partir de setembro, com pico em outubro e novembro. Além dos volumes elevados de chuva, há previsão de temporais com ventos fortes e granizo, com potencial para causar transtornos nas áreas rurais e urbanas.

Já na região Amazônica, o comportamento dos rios também será de extremos. A previsão é de uma cheia superior à de 2025 no Rio Negro, seguida por uma queda acentuada no nível das águas no segundo semestre. Apesar disso, a logística de escoamento da produção via barcaças não deve ser comprometida.

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