
Colheita da cana-de-açúcar revela recuperação da produtividade nas lavouras
Wenderson Araújo/Trilux
A safra 2-26/2027 de cana-de-açúcar deve registrar um crescimento de 5,3% no volume produzido, alcançando 709,1 milhões de toneladas. O dado faz parte do 1º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira (28), e projeta a segunda maior colheita da série histórica do país.
O avanço na produção é impulsionado pela recuperação da produtividade média nacional, estimada em 77,7 toneladas por hectare — uma alta de 3,4%. Além disso, a área destinada à colheita deve crescer 1,9%, atingindo o recorde de 9,1 milhões de hectares sob a influência de condições climáticas favoráveis registradas em 2025.
O Sudeste, principal região produtora, lidera o crescimento com previsão de colher 459,1 milhões de toneladas, volume 6,8% superior ao ciclo anterior. A produtividade média na região deve chegar a 80,8 toneladas por hectare, reflexo do clima mais estável para o desenvolvimento das lavouras.
No Centro-Oeste, a expectativa é de uma colheita de 154,5 milhões de toneladas, com um incremento de 1,8% na área colhida. Já o Nordeste e o Sul apresentam panoramas semelhantes de alta, com produções estimadas em 55,2 milhões e 36,2 milhões de toneladas, respectivamente. Apenas o Norte deve reduzir a área plantada em 0,5%, mas o ganho de 10,2% na produtividade deve compensar a queda, elevando a produção regional para 4,2 milhões de toneladas.
Produção de biocombustíveis e açúcar
A maior disponibilidade de matéria-prima deve impulsionar a fabricação de etanol, com projeção recorde de 40,69 bilhões de litros. O volume total, que engloba o biocombustível derivado de cana e de milho, representa uma alta de 8,5%.
Do total, 29,26 bilhões de litros virão diretamente da cana-de-açúcar. O etanol hidratado (usado diretamente nos tanques) deve somar 18,29 bilhões de litros, enquanto o anidro (misturado à gasolina) é projetado em 10,97 bilhões. O etanol de milho também cresce 12,3%, chegando a 11,43 bilhões de litros, com destaque para a expansão de unidades produtoras no Nordeste.
Em contrapartida, a produção de açúcar deve recuar levemente 0,5%, estimada em 43,95 milhões de toneladas. A queda reflete um mercado internacional com preços enfraquecidos devido ao aumento da oferta em países como Índia e Tailândia.
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