
A valorização internacional pode ser anulada por variações no câmbio, e os preços no mercado físico dependem de fatores como logística e prêmios nos portos
Foto: Jonas Oliveira/SEAB
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou, nesta segunda-feira (13), que não há escassez de grãos no curto prazo, mas indica uma mudança na interpretação de oferta e demanda pelo mercado. A migração de área do milho para a soja em solo americano ocorreu de forma moderada, sem força para sustentar uma alta generalizada nas cotações. Com esse cenário, o setor passa a depender mais de variáveis dinâmicas, como o clima, o andamento do plantio e as políticas de biocombustíveis.
No caso do milho, os estoques trimestrais nos Estados Unidos superaram as expectativas, com mais de 229 milhões de toneladas registradas em março. Embora o consumo no período tenha sido forte, o volume armazenado continua alto, com aproximadamente 60% do total nas mãos dos produtores rurais. Essa concentração indica um potencial de pressão vendedora caso ocorram tentativas de alta nos preços.
Já a soja apresenta um equilíbrio mais ajustado, com área plantada menor que o previsto e demanda firme. O processamento industrial e o avanço do uso de óleo para biocombustíveis sustentam uma perspectiva favorável para os preços no médio prazo. O USDA estima o plantio de cerca de 38,6 milhões de hectares de milho e 34,3 milhões de hectares de soja, reforçando uma transição moderada entre as culturas.
Influência do clima nas lavouras
A analista de mercado da Biond Agro, Isabella Pliego, avalia que o mercado deixa de reagir apenas aos relatórios estáticos e passa a focar na execução efetiva da safra. A transição climática de uma La Niña fraca para um possível El Niño tende a favorecer o desenvolvimento das lavouras americanas, reduzindo riscos produtivos imediatos e permitindo um avanço mais rápido do plantio nas próximas semanas.
Para o produtor brasileiro, o cenário exige cautela e estratégia. Isabella ressalta que a valorização internacional pode ser anulada por variações no câmbio, e os preços no mercado físico dependem de fatores como logística e prêmios nos portos. No milho, a recomendação é aproveitar eventuais altas para proteção de margem, dada a oferta elevada; na soja, orienta-se manter flexibilidade diante da demanda firme.
“Não há falta de produto, mas uma redistribuição de risco”, finaliza a analista. Segundo ela, o mercado agora será guiado prioritariamente pelo ritmo de execução da safra e pela demanda real por consumo e energia.
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