
Pastagens e galpão para aliviar o calor melhoram desempenho das vacas
Armindo Barth Neto
A Fazenda Barra Preta, localizada em Pitanga (PR), registrou um aumento de 50% na produção média diária por vaca após implementar mudanças estratégicas no manejo de pastagens, na rotina de ordenha e na estrutura da propriedade. A evolução, acompanhada pela consultoria SIA Brasil desde 2019, permitiu que a produção saltasse da faixa de 26 a 28 litros por animal para marcas que chegam a 45 litros, mesmo enfrentando um cenário de baixa nos preços pagos ao produtor leiteiro.
O processo de transformação começou com a busca por soluções para problemas produtivos e reprodutivos no rebanho. Conforme o diretor técnico da SIA Brasil, Armindo Barth Neto, o manejo das pastagens já havia sido aprimorado, mas a dieta das vacas apresentava um desequilíbrio, com excesso de proteína. O primeiro passo foi reorganizar o fornecimento de alimento no cocho e o uso das áreas de pasto.
Investimento em estrutura e foco em gestão
O crescimento do rebanho, que passou de 60 para mais de 90 vacas em lactação, evidenciou a necessidade de melhorias estruturais, já que a alimentação era fornecida em áreas a céu aberto. A solução encontrada foi a implementação do modelo compost barn — um sistema de confinamento em galpões com cama climatizada que oferece maior conforto térmico e higiene aos animais. A transição do sistema a pasto para o confinamento, somada à introdução da terceira ordenha diária após um ano de adaptação, foi fundamental para o recorde de produtividade.
Para Barth Neto, o aumento da produtividade foi decisivo para a sustentabilidade do negócio diante da queda no valor do leite. "Com a terceira ordenha, as vacas aumentaram a produção e houve redução do custo operacional efetivo. A fazenda passou a ganhar mais, mesmo com a queda no preço pago pelo leite", destaca o consultor.
O gerente técnico da SIA Brasil, Marcelo Irala, observa que o ano de 2025 foi desafiador, mas ressalta que propriedades com planejamento e gestão rigorosa conseguiram resultados melhores. Irala alerta que a oscilação de preços é inerente à atividade e, por isso, o produtor precisa tratar o leite como um negócio profissional.
"A atividade leiteira precisa ser conduzida nos mínimos detalhes para ser saudável, ter sucessão e atravessar crises que historicamente existem e ainda vão existir. Quem não tiver gestão e não souber como mexer nos custos tende a sofrer mais na próxima crise", afirma Irala, reforçando que o controle da alimentação, a separação de lotes por produção e a medição individual de leite são diferenciais para quem deseja permanecer na atividade.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

