
Sementes certificadas de soja podem gerar maior produtividade
Luiz Magnante/Embrapa
O Rio Grande do Sul detém, atualmente, a segunda maior área de cultivo de soja no Brasil, mas o desempenho produtivo não tem acompanhado a extensão das lavouras. Em 2025, o estado ocupou apenas a 4ª posição em volume de produção e amargou o último lugar em produtividade entre os 22 estados produtores.
As frustrações climáticas são apontadas como a principal causa do baixo rendimento gaúcho. Diante desse cenário desafiador, especialistas indicam que o retorno financeiro do produtor passa, obrigatoriamente, pela escolha da biotecnologia e pelo investimento em sementes de qualidade certificada.
O avanço da transgenia e as ondas tecnológicas
A soja transgênica já domina 99% do mercado brasileiro, um processo que ganhou força com a Lei de Biossegurança em 2005. Desde o lançamento da soja RR, em 2003, as cultivares evoluíram para oferecer tolerância a herbicidas e resistência a insetos. Segundo Alexandre Nepomuceno, Chefe-Geral da Embrapa Soja, o desenvolvimento de uma planta transgênica demanda cerca de 16,5 anos e investimentos de US$ 115 milhões. "Em breve, teremos plantas com tolerância a fungos, bactérias e estresses abióticos, como a seca", afirma.
Atualmente, o mercado conta com gerações avançadas como a Intacta RR2 PRO, Intacta 2 Xtend e a plataforma Enlist. No entanto, o custo dessas inovações pesa no bolso do produtor, exigindo um planejamento rigoroso sobre o potencial de retorno de cada lavoura.
O desafio das sementes piratas e a descapitalização
Um dado preocupante no Rio Grande do Sul é a baixa taxa de uso de semente certificada, que foi de apenas 42% na última safra, contra uma média nacional de 67%. A tendência para 2026 é de nova queda, o que sinaliza a descapitalização do produtor após sucessivas quebras climáticas.
Jean Cirino, diretor executivo da Apassul, alerta para os riscos da "semente pirata", comercializada ilegalmente sem controle sanitário ou genético. "A semente pirata aumenta o risco de pragas e doenças, além de apresentar baixo vigor e germinação", explica o diretor.
Diferente da "semente salva" — que é permitida pela legislação para uso próprio — a pirataria impede o acesso a seguros agrícolas e desestimula a pesquisa científica. Vale lembrar que, mesmo na semente salva, o agricultor deve recolher a taxa tecnológica aos detentores das patentes.
Soja RR volta ao radar do produtor
Com a expiração da patente da primeira geração da soja RR, muitos produtores voltaram a olhar para essa tecnologia como forma de reduzir custos. Como não há mais cobrança de taxa tecnológica sobre a semente RR, a margem de lucro pode ser superior em cenários específicos.
O produtor Fernando Rossato, de Cruz Alta (RS), comprovou essa tese na última safra. Em uma área irrigada, a soja RR superou em 21 sacas o rendimento da cultivar IPRO, apresentando um resultado financeiro final mais vantajoso devido ao menor custo de produção.
A Embrapa Trigo é hoje a única empresa de pesquisa que mantém um programa de melhoramento focado em soja RR no país. Segundo o pesquisador Paulo Bertagnolli, essa é uma opção estratégica para o produtor adequar o investimento ao potencial de retorno da sua região.
Impacto da seca e o futuro das lavouras
A produtividade média da soja no Brasil cresceu 55,4% em duas décadas, um ritmo lento se comparado à expansão da área plantada. O clima continua sendo o maior gargalo: em 50 anos, a seca causou prejuízos de US$ 152 bilhões à sojicultores brasileiros.
O Rio Grande do Sul é o estado mais castigado, sofrendo severamente com os episódios de La Niña. Nos últimos 10 anos, o estado perdeu 36,5 milhões de toneladas de grãos. Para mitigar esses danos, a Embrapa disponibiliza o programa Tess (Tecnologias para o Enfrentamento da Seca na Soja).
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