
Raízen também anuncia a venda de ativos na Argentina como parte do plano de recuperação extrajudicial
Band TV
A Raízen protocolou formalmente na Justiça, nesta sexta-feira (5), seu plano de recuperação extrajudicial (reestruturação de dívidas acordada previamente com credores fora dos tribunais) para organizar um passivo de R$ 64,7 bilhões. O pedido foi apresentado à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo após a empresa obter a adesão prévia de credores que representam 75,45% dos créditos elegíveis.
A Shell, sócia co-controladora da joint ventur, declarou apoio integral à medida de reestruturação financeira. A petroleira vai realizar um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões diretamente na companhia para conferir estabilidade e assegurar a manutenção da marca no mercado de combustíveis e aviação.
A proposta apresentada estabelece que 45% dos créditos sujeitos ao processo serão convertidos em participação acionária da empresa. Os 55% restantes do passivo financeiro passarão por um refinanciamento e substituição por novos instrumentos adequados ao caixa.
Para mitigar a alavancagem, indicador financeiro que mede o nível de endividamento de uma empresa, a Raízen também anunciou a venda de suas operações na Argentina. O negócio de desinvestimento foi fechado pelo valor de US$ 1,42 bilhão.
A redução do passivo tornou-se uma meta de alta importância após o endividamento atingir o nível de 5,3 vezes no terceiro trimestre do ano-safra 2025/2026. O ano-safra (ciclo de doze meses da atividade agrícola, do plantio à colheita) teve um peso significativo no planejamento da companhia.
Em nota oficial, a petroleira destacou que a parceria preserva a forte presença nos postos de combustíveis e no setor de lubrificantes no Brasil. O acordo também assegura os assentos e o peso político da Shell no Conselho de Administração da Raízen.
O plano oficial protocolado na Justiça prevê a possibilidade de um aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, empresa da família de Rubens Ometto e controladora da Cosan. No entanto, o mercado financeiro vê essa contribuição com cautela.
Relatórios de bastidores apontam divergências estratégicas anteriores entre os sócios sobre o modelo de reestruturação da companhia. A Cosan defendia a divisão imediata total entre as operações de açúcar e etanol e a área de distribuição de combustíveis.
Por outro lado, a Shell preferia manter a integração temporária das atividades para preservar o valor do negócio. Por causa desse impasse estratégico, os bancos credores já não computavam o aporte da Cosan como totalmente garantido durante as rodadas de negociações.
Os comunicados da companhia não detalharam publicamente os prazos exatos de carência e o cronograma final de vencimento para os 55% da dívida remanescente que será refinanciada. Informações de mercado indicam apenas que as taxas de juros debatidas com as instituições bancárias giravam na faixa de 7% a 7,5% ao ano.
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