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Reconhecimento sanitário chinês deve elevar exportações de carne brasileira

Representantes da agroindústria exportadora projetam um incremento de 40 mil toneladas de carnes bovina e suína

VIVIANE TAGUCHI

03/06/2026 • 09:00 • Atualizado em 03/06/2026 • 09:00

Com reconhecimento, Brasil poderá exportar carne de boi e suíno com ossos para a China

Com reconhecimento, Brasil poderá exportar carne de boi e suíno com ossos para a China

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O governo da China reconheceu oficialmente, nesta terça-feira (2), todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação. A medida suspende restrições que ainda incidiam sobre estados brasileiros que não possuíam o status reconhecido individualmente pelos chineses, consolidando o selo sanitário em 100% do país. Com o status, será possível exportar produtos com maior valor agregado, como carne com osso e miúdos, que antes sofriam barreiras rigorosas.

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O reconhecimento ocorreu após uma missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) à China em maio. Embora a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) já tivesse concedido esse status ao Brasil, o aval direto de Pequim era o passo fundamental para a liberação comercial. A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta animais de casco fendido; o status "sem vacinação" indica que o vírus não circula mais no rebanho nacional.

O que muda nas exportações?

A principal mudança com o novo status é a diversificação de produtos enviados ao maior parceiro comercial do Brasil. Até então, a maior parte da carne bovina exportada para a China precisava ser desossada para cumprir exigências sanitárias. Com a nova chancela, o setor produtivo espera um incremento imediato de receita e volume com o envio de cortes com osso e miúdos.

Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), afirma que a decisão reforça a elevada confiança internacional no sistema de defesa sanitária brasileiro e outros países, como o Japão, devem seguir o mesmo caminho. “O movimento cria condições para o aprofundamento das relações comerciais entre as duas nações, elevando o patamar de competitividade da proteína nacional”, diz Santin.

O reconhecimento chinês é considerado como um "selo de qualidade" de alcance global, avalia o executivo. “Como a China possui um dos protocolos sanitários mais exigentes do mundo, a aprovação serve como credencial para que o Brasil avance em outros mercados de alta exigência que tradicionalmente seguem os movimentos de Pequim”.

Países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Vietnã, além do Japão, são apontados como alvos naturais para as próximas negociações brasileiras.

Mais carnes para a China

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), em nota, celebrou a decisão e projeta que a mudança no status deve promover um incremento de 40 mil toneladas anuais de carnes exportadas somente para a China. No entanto, esse incremento deve ocorrer nos próximos anos.

A Abiec ressaltou que a decisão chinesa reflete a confiança no sistema de vigilância sanitária do Brasil. “O país tem avançado na retirada da vacinação em diversos estados, um processo rigoroso que exige monitoramento constante para garantir que o vírus não circule entre o rebanho. A unificação anunciada pela GACC valida esse trabalho técnico e diplomático”.

Apesar do entusiasmo do setor, os detalhes operacionais para o início efetivo das vendas de carne com osso ainda dependem da elaboração de novos protocolos sanitários específicos. A China não detalhou os prazos para a implementação dos trâmites burocráticos, que são necessários para que os novos cortes comecem a ser embarcados nos portos brasileiros.

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