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Reforma tributária pode deixar vinhos mais caros no Brasil

Criação do Imposto Seletivo acende alerta entre produtores sobre alta na carga tributária e perda de competitividade no mercado nacional

VIVIANE TAGUCHI

30/04/2026 • 18:20 • Atualizado em 30/04/2026 • 18:20

Metade do preço final de vinhos no Brasil tem o peso dos impostos e eles podem aumentar

Metade do preço final de vinhos no Brasil tem o peso dos impostos e eles podem aumentar

Freepik

A reforma tributária pode provocar um impacto severo no mercado de vinhos no Brasil, e a bebida pode ficar mais cara para os consumidores finais e até para a cadeia produtiva, travando investimentos no segmento. A proposta de criação do Imposto Seletivo sobre bebidas alcoólicas, o chamado “Imposto do Pecado” é o principal ponto de preocupação para produtores, importadores e distribuidores, que temem uma carga tributária ainda mais pesada.

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Atualmente, o vinho já suporta uma carga tributária que beira os 50% do preço final. Com a nova estrutura proposta pela reforma, o tributo tende a ser aplicado de forma monofásica, sem a possibilidade de compensação ao longo da cadeia produtiva. Na prática, a mudança amplia a pressão sobre os preços finais nas gôndolas e adegas.

Representantes do setor argumentam que o aumento pode reduzir a competitividade do mercado formal, desestimular novos investimentos e prejudicar setores correlatos. Além da produção e importação, a cadeia do vinho movimenta áreas estratégicas como a gastronomia, o turismo e a hospitalidade. A desaceleração do consumo afetaria diretamente o faturamento desses segmentos integrados.

Debate na Wine South America

O debate sobre a tributação ganha força às vésperas da Wine South America (WSA), uma das maiores feiras profissionais do setor nas Américas. O evento será realizado entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS), reunindo mais de 400 marcas nacionais e internacionais.

Marcos Milaneze, diretor da feira, ressalta que o vinho possui especificidades que precisam ser consideradas na reforma. Segundo ele, o produto está historicamente associado à moderação e à experiência gastronômica, desempenhando papel relevante na economia criativa.

A expectativa é que a feira movimente cerca de R$ 100 milhões em negócios. Diante da incerteza regulatória, o encontro deve centralizar as discussões sobre os rumos da tributação e os impactos no ambiente de negócios para os próximos anos.

Potencial do mercado brasileiro

Os dados mostram que o setor vinha em uma trajetória positiva antes do debate tributário. Em 2025, o mercado brasileiro de vinhos e espumantes movimentou R$ 21,1 bilhões, um crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior. Esse avanço foi impulsionado pela valorização de produtos de maior qualidade e pelo aumento do tíquete médio. Os espumantes ganharam destaque especial, ultrapassando a marca de 40 milhões de litros comercializados anualmente no País.

Especialistas e associações do setor buscam agora sensibilizar o governo para que a reforma não inviabilize o consumo formal. O temor é que a alta carga tributária acabe incentivando a informalidade e o descaminho em detrimento da produção nacional.