Agroband

Acordo comercial Mercosul e União Europeia zera tarifa para uva brasileira

Vigência provisória da etapa comercial abre janela de competitividade para exportadores; abacate e limão também terão reduções graduais

VIVIANE TAGUCHI

30/04/2026 • 18:09 • Atualizado em 30/04/2026 • 18:09

Tratado comercial beneficia o setor de uvas brasileiras com oportunidades de novos negócios na União Europeia

Tratado comercial beneficia o setor de uvas brasileiras com oportunidades de novos negócios na União Europeia

Prefeitura de Jundiaí (SP)

A partir desta sexta-feira (1º), a uva brasileira passa a contar com tarifa de importação zerada para entrada no mercado da União Europeia. A medida marca o início da vigência provisória da etapa comercial do Acordo União Europeia–Mercosul e fortalece a competitividade da fruticultura nacional em um dos mercados mais estratégicos do mundo.

Compartilhar

O Acordo União Europeia–Mercosul é um tratado de livre comércio firmado entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai com os 27 países do bloco europeu. O objetivo é facilitar o comércio e ampliar investimentos entre os blocos. Embora a vigência atual seja provisória, ela já permite que benefícios como a redução tarifária sejam aplicados enquanto o texto segue em tramitação para aprovação definitiva pelos parlamentos europeus.

Impacto na produção nacional

A nova fase do acordo prevê a eliminação gradual de tarifas para cerca de 93% dos produtos exportados pelo Mercosul à Europa em até dez anos. Neste primeiro momento, cerca de 39% dos produtos agropecuários brasileiros passam a ter tarifa zero, com foco em itens onde o Brasil possui forte presença internacional, como é o caso da uva.

Em 2025, os embarques de uva brasileira superaram 62 mil toneladas, um crescimento de 5,62% em comparação a 2024, gerando um faturamento de US$ 158,7 milhões. Pernambuco lidera a produção nacional, com 755,2 mil toneladas (41,5% do total do país), consolidando o protagonismo do Vale do São Francisco. O Rio Grande do Sul aparece em seguida, com 686,6 mil toneladas, voltadas tanto para o mercado in natura quanto para a indústria de vinhos e sucos.

Janela de oportunidade na Europa

Para Eduardo Brandão, diretor executivo da Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados), a retirada da tarifa amplia a competitividade frente a outros exportadores mundiais. Ele avalia que o Brasil já é reconhecido pela qualidade e regularidade da produção, e que esta é uma oportunidade concreta de gerar mais valor para toda a cadeia produtiva.

Brandão ressalta ainda que o consumidor europeu está atento à origem do alimento e às práticas ambientais. "O Brasil está preparado para atender essa demanda e seguir avançando", afirma o executivo. Os principais destinos atuais da fruta brasileira no continente são Países Baixos (Holanda), Reino Unido e Espanha, que também funcionam como plataformas logísticas de redistribuição para outros mercados vizinhos.

Benefícios para outras frutas

Além da uva de mesa, que teve a alíquota de 11,5% zerada imediatamente, outras frutas brasileiras serão beneficiadas gradualmente:

  • Abacate: eliminação da tarifa de 4% em até quatro anos.
  • Limão e Lima: desgravação total da tarifa de 12,8% em sete anos.
  • Melão e Melancia: hoje taxados em 8,80%, terão tarifa zero no mesmo prazo de sete anos.
  • Maçã: a alíquota atual de 10% será eliminada em até dez anos.