
Pacaraima, na divisa de Roraima com a Venezuela
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Roraima consolidou-se como o principal corredor logístico terrestre para o abastecimento de alimentos da Venezuela, especialmente após as sanções internacionais limitarem o comércio marítimo do país vizinho. Em 2024, as exportações roraimenses somaram US$ 313,9 milhões, evidenciando o papel estratégico do estado na integração regional e na segurança alimentar venezuelana. A Venezuela e a Guiana juntas detêm 52% da corrente de comércio do estado, reforçando a dependência comercial da região.
Este posicionamento é fortalecido pela infraestrutura da BR-174 e por acordos tarifários internacionais, como o Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69). O tratado garante a isenção de impostos de importação, apesar de instabilidades diplomáticas recentes que geraram "tarifazos" temporários em julho de 2025.
Pauta de exportação e produtos processados
Os produtos alimentícios lideram a pauta de exportação do estado para os vizinhos do Norte. Em 2024, a soja e seus derivados representaram 49% do total exportado, alcançando a marca de US$ 155,3 milhões. Além dos grãos, outros itens essenciais como extratos de malte, açúcares, margarinas, carnes e legumes somaram US$ 125,7 milhões no mesmo período.
Cerca de 70% das exportações totais de Roraima têm como destino a Venezuela, consolidando o estado como o maior fornecedor de alimentos via terrestre para o país vizinho. Esse fluxo contínuo é vital tanto para a economia local quanto para o abastecimento da população venezuelana, que enfrenta restrições logísticas severas em seus portos.
Integração sul-americana e infraestrutura
Roraima faz parte de um plano maior de integração previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O estado integra a "Rota Ilha das Guianas", um dos cinco eixos de integração sul-americana que visam ampliar o fluxo comercial com os vizinhos do Norte. Essa rota é considerada fundamental para aumentar a eficiência logística e reduzir os custos de transporte na região amazônica.
A segurança jurídica dessas transações é regida pelo ACE 69, que veda a aplicação de impostos de importação. Houve uma crise diplomática em julho de 2025, na qual a Venezuela aplicou tarifas de até 77%, atingindo especialmente a soja. No entanto, após negociações bilaterais, a isenção foi restabelecida para produtos com certificado de origem brasileira.
Desafios logísticos e dados estatísticos
Embora os dados oficiais de 2024 apontem para um crescimento robusto, especialistas indicam uma lacuna de informações consolidadas para o segundo semestre de 2025. A recente instabilidade política na fronteira afetou o reconhecimento de certificados de origem na aduana venezuelana, dificultando a contabilização precisa do volume atual.
Outro ponto de atenção para economistas do setor é a diferenciação da origem da produção. Atualmente, não há dados oficiais segregados que discriminem o volume de alimentos efetivamente produzidos em Roraima daqueles que apenas transitam pelo estado — oriundos de estados como Mato Grosso ou Amazonas — para exportação via Pacaraima.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:
