O sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de metade dos mais de 20 milhões de moradores da Grande São Paulo e de parte do interior paulista, opera em estágio de alerta devido à falta de chuvas na região norte do estado. A redução no volume de precipitações, típica deste período do ano, levou os reservatórios a registrarem níveis abaixo do esperado, comprometendo a oferta de água à população.
A possibilidade de um fenômeno El Niño, já confirmado por autoridades meteorológicas de todo o mundo, pode agravar ainda mais a situação. A tendência é que o inverno deste ano seja mais quente e a Primavera e o Verão de 2026 tenha ondas fortíssimas de calor.
Segundo dados apresentados, o volume de água do sistema Cantareira está 60% abaixo do ideal. O cenário crítico fez com que o sistema passasse a operar na faixa 3 de alerta, o que implica na redução do volume de retirada permitida pela Sabesp.
O volume total da transposição até o final do ano está estimado em 106 bilhões de litros de água, que chegam à Sabesp na Serra da Cantareira, em São Paulo, por meio da represa Atibainha, localizada em Nazaré Paulista.
Além do abastecimento humano, a água proveniente dessas represas é fundamental para usos agrícolas, industriais e recreativos em 184 municípios abrangidos pela bacia do Rio Paraíba do Sul. A Sabesp tem utilizado a interligação com a represa da usina hidrelétrica Jaguari Jacareí, como forma de reforçar o sistema e ampliar o volume disponível para retirada.
O consultor climático Francisco de Assis comentou a situação dos principais reservatórios do país, destacando que, enquanto Sobradinho opera em condições favoráveis, com aproximadamente 84,5% de sua capacidade, e Três Marias em 94%, o Cantareira apresenta quadro preocupante. "A Bacia do Cantareira acende um alerta, hoje está com 30% da sua capacidade e o ideal seria estar aproximadamente com 50% a 55%", afirmou.
Assis ressaltou que, no mesmo período do ano passado, o Cantareira registrava 46% de sua capacidade, índice já considerado abaixo do ideal, mas ainda superior ao atual.
Apesar do quadro desfavorável, a previsão é de melhora nas próximas semanas. "Temos uma boa previsão de ter um agosto com mais chuvas e um setembro também mais chuvoso na Grande São Paulo e isso poderá amenizar a situação do Sistema Cantareira", disse Francisco de Assis.
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