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Mais de 500 pererecas raras nascem em SP e evitam extinção da espécie

Espécie criticamente ameaçada é reproduzida exclusivamente em centro de conservação em Araçoiaba da Serra; área natural em Minas Gerais sofre com incêndios

Da redação
DA REDAÇÃO

09/04/2026 • 18:33 • Atualizado em 09/04/2026 • 18:33

Nascem 500 pererecas-pintadas-do-rio-pomba em São Paulo

Nascem 500 pererecas-pintadas-do-rio-pomba em São Paulo

Divulgação/Semil

O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), anunciou um marco histórico para a biodiversidade brasileira. Mais de 500 filhotes de perereca-pintada-do-rio-pomba nasceram sob cuidados humanos no Departamento de Conservação da Fauna Silvestre (CECFau). A espécie, classificada como criticamente ameaçada, encontra no interior paulista sua maior esperança contra a extinção.

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Com os novos nascimentos, o centro localizado em Araçoiaba da Serra passa a abrigar cerca de 800 indivíduos, um número que supera drasticamente a população estimada em vida livre. Na natureza, restam apenas 50 exemplares registrados em uma área restrita de 1,36 km² na região de Cataguases (MG).

Uma barreira contra a extinção

A perereca-pintada-do-rio-pomba é um anfíbio pequeno, medindo entre 5 e 8 centímetros, e se alimenta de pequenos insetos como grilos e besouros. O trabalho do CECFau funciona como uma "população de segurança", especialmente após monitoramentos indicarem que o habitat natural da espécie em Minas Gerais foi atingido por incêndios recentes. "Hoje, cada indivíduo faz diferença para a sobrevivência da espécie. Acompanhamos desde os girinos até a fase adulta com um cuidado muito próximo", explica a médica veterinária do centro, Mayara Caiaffa.

Para o coordenador de Conservação da Semil, Cauê Monticelli, os resultados vão além da reprodução: "São avanços que contribuem para a construção de uma base sólida de conhecimento, com impacto direto nas estratégias de conservação".

Mico-leão-preto: o símbolo de SP também celebra nascimentos

O sucesso do CECFau não se restringe aos anfíbios. Em março de 2026, o departamento registrou o nascimento do primeiro filhote de mico-leão-preto do ano. O primata, que é símbolo da biodiversidade do Estado de São Paulo, é filho de Keila e Tupac.

Atualmente, o centro abriga 15 indivíduos da espécie e já contabiliza 34 nascimentos desde o início do programa. Na natureza, restam apenas cerca de 1.600 micos-leões-pretos, o que reforça a urgência de manter plantéis saudáveis sob cuidados humanos.

Expansão e Futuro

O CECFau completa 11 anos consolidado como referência nacional. Além da perereca-pintada e do mico-leão-preto, o local desenvolve ações com:

Arara-azul-de-lear (endêmica da Bahia);

Tamanduá-bandeira;

Sagui-da-serra-escuro.

A estrutura do departamento está em expansão. Até 2027, novas instalações e recintos versáteis devem ser entregues, permitindo a chegada de novas espécies prioritárias e a ampliação de pesquisas em parceria com instituições como a UFSCar. "O trabalho realizado traduz em ações concretas o empenho em proteger a biodiversidade com base na ciência e na inovação", afirma Patrícia Locosque Ramos, diretora de Biodiversidade e Biotecnologia da Semil.