
Foto: Jonas Oliveira/SEAB
Resumo
Queda no poder de compra do suinocultor paulista é registrada pelo sexto mês seguido em março, causada pela valorização do milho e estabilidade no preço do suíno vivo, com oferta restrita e incertezas globais impulsionando o aumento do cereal.
Descompasso entre custos e receitas é evidenciado pela piora de 3,9% na relação de troca em março, com o produtor adquirindo 5,87 kg de milho por quilo de suíno vendido, refletindo a maior variação mensal do preço do milho em 12 meses e demanda aquecida por estoques.
Estabilidade no preço do suíno vivo impede repasse da alta dos custos, resultando em perda de rentabilidade para o produtor, enquanto incertezas geopolíticas e movimentações no câmbio e exportações seguem impactando o setor, com o controle dos custos de alimentação como principal desafio.
O poder de compra do suinocultor paulista frente ao milho registrou queda pelo sexto mês consecutivo na parcial de março, segundo dados do Cepea. O cenário é provocado pela forte valorização do milho no mercado interno, enquanto o preço do animal vivo apresenta estabilidade. Entre os fatores que impulsionam a alta do cereal estão a oferta restrita no mercado disponível e as incertezas globais causadas por conflitos no Oriente Médio.
Na parcial de março, coletada até o dia 17, a relação de troca para o produtor piorou 3,9% em comparação a fevereiro. Atualmente, com a venda de um quilo de suíno vivo, o pecuarista consegue adquirir 5,87 kg de milho. O movimento reflete o descompasso entre os custos de produção e a receita final da atividade.
Milho atinge maior variação em 12 meses
O preço médio do milho negociado em Campinas (SP) atingiu R$ 70,96 por saca de 60 kg, o que representa um avanço de 4,6% em relação ao mês anterior. De acordo com pesquisadores do Cepea, essa é a variação mensal mais expressiva registrada desde março de 2025.
A alta é impulsionada pela baixa disponibilidade de lotes no mercado spot — termo técnico que designa o mercado de pronta entrega, onde a mercadoria é negociada e entregue imediatamente. Além disso, há uma demanda aquecida por parte de compradores que buscam formar estoques preventivos diante da instabilidade geopolítica internacional.
Estabilidade no preço do suíno vivo
Diferente do comportamento dos insumos, o preço do suíno vivo posto na indústria em São Paulo (região SP-5) manteve-se praticamente estável. A média registrada foi de R$ 6,94/kg, apresentando uma leve alta de apenas 0,5% sobre o mês de fevereiro.
Essa estabilidade no preço de venda impede que o produtor repasse a alta dos custos, resultando na perda contínua do poder de compra. Apesar da sequência negativa nos últimos seis meses, o Cepea ressalta que, na comparação anual, a relação de troca ainda é 2% superior à registrada no mesmo período do ano passado.
Cenário global e exportações
As incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio têm gerado impactos diretos nas cotações de commodities agrícolas. O milho, sendo um componente essencial da ração animal, acaba transmitindo essa pressão inflacionária para a cadeia de proteína animal, afetando diretamente a rentabilidade da suinocultura nacional.
Especialistas indicam que o setor deve seguir atento às movimentações do câmbio e ao ritmo das exportações, que podem oferecer suporte aos preços do animal vivo nos próximos meses. No entanto, o controle dos custos de alimentação continua sendo o principal desafio "da porteira para dentro" para o produtor rural brasileiro.
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