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Economia

Cheques ainda movimentam R$ 472,7 bilhões na economia brasileira

Desde 1995, o uso do cheque caiu 97%, mas no ano passado, ainda movimentaram um valor elevado

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06/04/2026 08:00 • Atualizado há 201 dias

Cheques ainda movimentam R$ 472,7 bilhões na economia brasileira

Você sabe preencher um cheque? Para muitas pessoas, este hábito ficou definitivamente no passado, no entanto, um estudo divulgado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostrou que o hábito ainda persiste entre boa parte dos brasileiros. Em 2025, R$ 472,7 bilhões foram movimentados através dos cheques. No entanto, a tendência é que aos poucos, os cheques realmente fiquem no passado, pois desde o ano de 1995, o uso já caiu 97%.

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A trajetória do cheque no Brasil é marcada por uma redução drástica de protagonismo. Em 1995, no auge de sua utilização, o Serviço de Compensação de Cheques (Compe) registrou a marca de 3,3 bilhões de documentos. Em comparação, o levantamento mais recente aponta que os brasileiros utilizaram 112,5 milhões de cheques, o que representa uma queda vertiginosa de 96,62% em três décadas.

A retração foi acentuada nos últimos anos pela consolidação do mobile banking e, principalmente, pela revolução causada pelo Pix a partir de 2020. Entre 2024 e 2025, a redução no número de cheques compensados foi de 18,2%.

Volume financeiro vs. quantidade

Embora o número de folhas preenchidas esteja em queda, o montante financeiro movimentado ainda é expressivo, embora também apresente retração. Em 2025, o volume total somou R$ 472,7 bilhões, uma diminuição de 9,64% em relação ao ano anterior.

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O dado mais revelador do levantamento é o aumento do tíquete médio, que saltou de R$ 3.800,67 para R$ 4.199,77. Esse fenômeno indica uma mudança qualitativa no uso do papel. As transações cotidianas e de baixo valor foram integralmente absorvidas pelo Pix e cartões e os cheques sobrevivem em contextos específicos, como em operações de caução, garantias de aluguel ou compras de alto valor agregado onde o comprador prefere a formalidade do documento físico. Para certas faixas da população ou setores empresariais, o cheque ainda oferece uma sensação de controle documental que o digital, por vezes, não substitui em grandes negociações.

De acordo com Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban, a queda consistente reflete a eficiência e a aceitação dos meios digitais. "A consolidação do Pix mudou o dia a dia, mas o cheque segue sendo utilizado em contextos em que ainda faz sentido para o cliente", analisa.

O cenário sugere que o cheque não desaparecerá do mapa de imediato, mas se transformará em um instrumento cada vez mais raro, destinado a um público corporativo ou a transações imobiliárias e de bens de luxo, mantendo-se como um vestígio resiliente da era analógica no Brasil.

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