
Preços de combustíveis dispararam com a guerra
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As companhias aéreas brasileiras acumularam um impacto financeiro extra de R$ 5,2 bilhões com querosene de aviação (QAV) desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro. O levantamento é da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), entidade que reúne Azul, Gol e Latam.
Com o reajuste de 1,9% (R$ 0,09 por litro) aplicado pela Petrobras no início deste mês, o preço do combustível já acumula alta de 49% desde o estouro da guerra. A disparada elevou a representatividade do QAV nos custos operacionais das aéreas de 32% para 39%.
A forte exposição do setor às cotações internacionais do petróleo fez o preço do combustível praticamente dobrar em maio. Apenas naquele mês, o custo adicional somou cerca de R$ 1,6 bilhão — valor equivalente ao arrendamento de aproximadamente 830 aeronaves.
"Hoje temos cerca de 500 aviões operando no Brasil. O gasto extra com combustível apenas em maio representa mais da metade do que pagamos pelo leasing de toda a frota atual. É um valor exorbitante", destacou Juliano Noman, presidente da Abear, durante audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, realizada em junho.
A Petrobras reajusta o valor do QAV mensalmente. Em julho, a estatal chegou a aplicar uma redução de 14,2% (R$ 0,93 por litro) após três aumentos sucessivos. Apesar do alívio pontual, os patamares permanecem bem superiores aos registrados no período pré-conflito.
Socorro financeiro e contexto internacional
Para mitigar os impactos, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciou no fim de julho a liberação de R$ 13,2 bilhões em linhas de crédito direcionadas às companhias aéreas. Do total, R$ 8 bilhões serão destinados a capital de giro, com taxa de juros de 4% ao ano.
"Estamos oferecendo crédito para que as empresas brasileiras consigam atravessar os efeitos da guerra no Irã", afirmou Mercadante, ressaltando que as aéreas locais não contaram com aportes diretos do governo durante a crise recente, ao contrário de diversas concorrentes internacionais.
Pelo plano de apoio, Gol, Latam e Azul poderão acessar até R$ 2,6 bilhões cada uma, enquanto a regional Abaeté Táxi Aéreo terá limite de R$ 8 milhões.
A escalada das tensões no Oriente Médio segue pressionando as cotações do petróleo devido ao risco de interrupções no fornecimento global — sobretudo em pontos críticos como o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial. Além do setor aéreo, o encarecimento da energia pressiona a inflação global e encarece o frete de mercadorias, desacelerando a economia mundial.
Com informações de O Estado de S. Paulo.

