
Turismo na Europa aumenta após conflitos no Oriente Médio
Banco de imagens/Towfiqu barbhuiya
O agravamento do conflito no Oriente Médio, que já se estende por mais de um mês, está redesenhando o mapa global do turismo em 2026. A instabilidade geopolítica gerou uma onda de incerteza que se reflete diretamente nos dados: desde o início da crise, a região registrou uma queda de 56% no volume de voos em comparação a março de 2025, segundo levantamento da Cirium.
O fechamento de espaços aéreos e a elevação da percepção de risco têm provocado um "efeito fuga", trazendo destinos tradicionais e previsíveis de volta ao topo das prioridades dos viajantes. De acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), o impacto financeiro da crise no setor de turismo do Oriente Médio é severo, com uma perda estimada em US$ 600 milhões por dia.
Nesse cenário, a Europa Ocidental consolida sua posição como o "porto seguro" do turismo internacional. Dados da Coris, especialista em assistência e seguro viagem, apontam que países como Espanha, França, Portugal, Itália e Grécia tornaram-se as principais alternativas para quem desistiu de rotas no Oriente ou arredores. "Existe um movimento de busca por viagens mais próximas, como América do Sul e Caribe, que passam uma sensação maior de segurança neste momento", afirma Cláudia Brito, Sócia Diretora Comercial da Coris. Segundo ela, a combinação de menor tempo de deslocamento e menor exposição a áreas de conflito é o grande diferencial dessas regiões.
Impacto operacional e financeiro
A crise não afeta apenas o planejamento futuro, mas atinge quem já estava com as malas prontas. Cláudia reforça que houve um aumento significativo em cancelamentos de viagem motivados por insegurança, alterações compulsórias de voos devido ao fechamento de rotas e o acionamento de seguros para cobrir interrupções logísticas.
Para Mário Marques, professor de economia da SKEMA Business School, o fenômeno é uma resposta técnica à elasticidade-preço da demanda e aos custos operacionais. O aumento do Querosene de Aviação (QAV), atrelado ao dólar e à instabilidade do petróleo, encarece as passagens aéreas internacionais. "Estamos diante de um efeito substituição clássico: o consumidor não deixa de viajar, mas migra para modais de menor custo ou destinos com logística simplificada", explica o professor.
Em 2026, a previsibilidade tornou-se o ativo mais valioso do turismo. Destinos com forte estrutura de conectividade aérea e suporte ao viajante — como o bloco europeu — levam vantagem. Em tempos de incerteza, a flexibilidade no planejamento e o suporte humano 24 horas tornaram-se itens indispensáveis no check-list de qualquer viajante, independentemente da latitude escolhida.
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