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Conflitos no Oriente Médio encarecem insumos e pressionam até seguro rural

Crise geopolítica eleva preços de fertilizantes e diesel, impactando custos de produção e valor das apólices para a safra 2026/27 no Brasil

VIVIANE TAGUCHI

14/04/2026 • 15:28 • Atualizado em 14/04/2026 • 15:28

Entenda como os conflitos no Oriente Médio influenciam até o seguro rural no Brasil

Entenda como os conflitos no Oriente Médio influenciam até o seguro rural no Brasil

Divulgação/CNA

A escalada dos conflitos no Oriente Médio gerou uma onda de incerteza que atinge diretamente o agronegócio brasileiro, elevando custos de produção e pressionando o mercado de seguro rural. O cenário de guerra impacta o preço de insumos vitais, como a ureia nitrogenada e o diesel, o que deve refletir no valor segurado das lavouras e no custo dos prêmios pagos pelos produtores rurais.

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O Oriente Médio é um polo estratégico para a energia e a logística global. Com as tensões na região, o preço da ureia nitrogenada — fertilizante essencial para a produtividade do campo — já subiu 33%, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O diesel seguiu a mesma tendência de alta, superando os R$ 7,00 por litro, um salto significativo em relação aos R$ 5,74 registrados no início do conflito. Especialistas preveem que essa combinação pode encarecer a implantação da safra 2026/27 entre R$ 200 e R$ 300 por hectare para culturas como soja, milho e trigo.

O papel estratégico do seguro rural

Nesse contexto de volatilidade, o seguro rural deixa de ser apenas uma proteção contra o clima e passa a ser uma ferramenta de gestão financeira. Glaucio Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), ressalta que a proteção traz tranquilidade ao produtor em momentos de margens pressionadas por custos elevados.

"O seguro rural deve ser visto como uma ferramenta essencial de proteção do sistema de produção agropecuária. Em momentos de turbulência, essa proteção traz segurança diante de eventuais perdas climáticas que podem comprometer ainda mais o planejamento", avalia Toyama.

Desafios do setor e subvenção federal

O setor de seguros enfrenta um momento delicado, com retração de 8,8% na arrecadação em 2025. Para 2026, as projeções indicam nova queda de quase 4%. Além do choque de custos externo, a falta de previsibilidade no orçamento federal para a subvenção do prêmio — o auxílio do governo para ajudar o produtor a pagar a apólice — preocupa o setor.

Atualmente, o orçamento previsto gira em torno de R$ 1 bilhão, valor considerado insuficiente diante da volatilidade internacional. Segundo Toyama, a prioridade do setor é garantir a consistência desse orçamento para 2026 e a manutenção dos recursos no Congresso Nacional, permitindo que seguradoras e produtores possam se planejar com maior segurança contra os riscos geopolíticos e climáticos.