
As tensões diminuíram no curto prazo, mas o mercado ainda opera com muita incerteza
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O acordo de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos trouxe um alívio pontual ao mercado global de fertilizantes nitrogenados, ao reduzir o risco imediato de novas rupturas na oferta. No entanto, o cenário para o agronegócio brasileiro permanece distante da normalidade, com baixo volume de negócios e elevada cautela por parte dos agentes.
De acordo com o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, as tensões diminuíram no curto prazo, mas o mercado ainda opera com muita incerteza. A atividade segue limitada e os preços continuam firmes, pois problemas estruturais de oferta e logística não foram resolvidos.
Incerteza global e gargalos logísticos
Mesmo com a possibilidade de maior estabilidade caso as negociações avancem, a normalização do mercado no curto prazo é considerada improvável. A fragilidade do processo de paz, somada aos atrasos acumulados e aos elevados custos de seguro de risco de guerra nas rotas pelo Estreito de Ormuz, aponta para uma disrupção prolongada.
Pernías reforça que qualquer frustração nesse processo diplomático pode trazer de volta a volatilidade de preços. "O cessar-fogo ajuda, mas está longe de ser uma solução definitiva", analisa o especialista.
Impacto no bolso do produtor brasileiro
No Brasil, o cenário é ainda mais desafiador devido às relações de troca entre fertilizantes e grãos. A relação de troca — que é o cálculo de quanto de sua produção (como o milho) o agricultor precisa vender para comprar uma tonelada de insumo — está nos piores níveis dos últimos anos.
Desde o início do conflito, os preços da ureia no país acumulam alta de 61%. Esse aumento gera forte resistência por parte dos compradores em avançar nas negociações, reduzindo o poder de compra do produtor rural.
Represamento no Estreito de Ormuz
Do lado da oferta, os gargalos persistem, especialmente na navegação pelo Estreito de Ormuz, que permanece praticamente paralisada. A produção iraniana também foi prejudicada nos últimos dias e, mesmo em um cenário de reabertura da rota, a prioridade deve ser a liberação das cargas acumuladas.
"Existe um represamento logístico relevante", explica Pernías. Mesmo que o fluxo de navegação seja retomado, o analista conclui que o mercado global deve enfrentar dificuldades em razão dos constrangimentos acumulados pelo setor nas últimas semanas
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