
Copom reduz taxa de juros em 0,25p.p e vai a 14,5%
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (29) reduzir em 0,25 pontos percentuais a taxa básica de juros (Selic), agora estabelecida em 14,50%. Até então, a Selic operava em 14,75% ao ano. Antes disso, a taxa básica permaneceu em 15% ao ano por seis reuniões, ou seja, desde junho do ano passado, o maior nível das últimas duas décadas.
A reunião foi desfalcada neste mês porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional. Na terça-feira, o Banco Central anunciou que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, se ausentaria da reunião por falecimento de um parente de primeiro grau.
Na ata da reunião do mês passado, o Copom deixou de indicar se continuará a cortar os juros. Com a guerra no Oriente Médio, o BC afirmou que a magnitude e o “ciclo de calibração” (para cima ou para baixo) da Selic serão determinados ‘ao longo do tempo’, à medida que novas informações forem incorporadas às análises.
O dólar fechou a quarta-feira (29) com tendência de alta e superou os R$ 5.
Taxa Selic
A Taxa Selic, apurada no Sistema Especial de Liquidação e Custódia, incide sobre os títulos públicos federais e baliza o cenário de juros no Brasil. Como principal ferramenta do Banco Central (BC) para o controle inflacionário, ela é manejada via operações de mercado aberto, garantindo que a taxa de mercado se alinhe à meta estabelecida.
Decisões do Copom pela elevação da Selic visam desaquecer a demanda ao encarecer o crédito e incentivar a poupança, embora isso possa limitar a expansão do PIB. Por outro lado, a redução da taxa estimula o consumo e a produção, injetando liquidez na atividade econômica com menor rigor sobre a inflação. Vale notar que o custo final ao consumidor também integra variáveis como risco de inadimplência e margens bancárias.
O colegiado define essa meta em reuniões bimestrais (a cada 45 dias), fundamentadas em análises técnicas profundas sobre os cenários macroeconômicos nacional e global.
Taxa Selic no dia-a-dia
Mas, de que forma a variação na taxa afeta a vida diária de pessoas, empresas e economia?
A resposta normativa é que a taxa Selic é a taxa básica de juros da economia, que influencia outras taxas de juros do país, como taxas de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Com isso, a Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.
Como funciona na prática?
Quando o Banco Central altera a taxa Selic, os custos de captação para bancos e instituições financeiras também são alterados. Então, se há uma redução da taxa referencial de juros, os bancos tendem a emprestar com juros menores. Por isso, pegar dinheiro emprestado fica mais barato, já que os juros cobrados nessas operações ficam menores. Assim, o consumo é estimulado.
O contrário também ocorre, se há uma elevação da Selic, os juros cobrados em financiamentos, empréstimos e cartões de crédito ficam mais altos, o que pode desestimular o consumo e, por consequência, favorecer a queda da inflação.
Portanto, com a alta da Selic, a população consome menos, já que fica mais caro se endividar. O mesmo vale para empresas. Com custo do dinheiro mais elevado, as empresas pagam mais caro para se financiarem de forma recorrente.
Essa mecânica de crédito mais caro ou mais barato vale tanto para o parcelamento do seu cartão de crédito quanto para uma empresa que quer financiar a construção de uma fábrica.
Variação da Selic e os investimentos
Uma vez definida a taxa Selic, o Banco Central atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.
Renda fixa
Os investimentos de renda fixa em geral, como CDB, LCI, LCA, CRIs, CRAs e debêntures, são afetados pela Selic. Isso vale tanto para os que são diretamente atrelados à taxa quanto para os que têm juros prefixados ou mistos. A taxa prefixada leva em consideração uma estimativa para a Selic nos próximos meses e anos. A Selic também afeta o CDI, por exemplo, que é um indicador atrelado aos CDBs.
Tesouro direto
O Tesouro oferece títulos prefixados, pós-fixados e mistos. Todos eles são influenciados pela taxa Selic, embora a influência seja mais clara no Tesouro Selic, que acompanha a taxa diretamente.
Caderneta de poupança
O dinheiro que você guarda na caderneta de poupança também rende uma porcentagem da Selic.
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