
Gasolina
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A margem de lucro de distribuidoras e postos de combustíveis no Brasil aumentou, em média, 37% entre 28 de fevereiro e 21 de março, período que marca o início da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, mostra levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) com base em dados do Ministério de Minas e Energia (MME).
Margens disparam no diesel e na gasolina
O estudo utiliza informações do Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo, do MME, que acompanha a produção, importação, exportação e vendas de combustíveis no país. Os percentuais apurados se referem exclusivamente à fatia do preço final que fica com distribuidoras e postos.
No diesel S-500, usado principalmente em motores mais antigos, a margem média passou de R$ 0,95 em 28 de fevereiro para R$ 1,63 em 21 de março, alta de 71,6% no período analisado.
Já no diesel S-10, recomendado para motores mais modernos, a margem subiu de R$ 0,80 para R$ 0,86 entre as mesmas datas, o que representa crescimento de 7,5%.
Na gasolina comum, a margem de lucro avançou de R$ 1,15 em 28 de fevereiro para R$ 1,52 em 21 de março, um incremento de 32,2%. Esses valores se referem apenas à parcela retida por distribuidoras e postos, e não ao preço integral pago pelo consumidor.
Alta do petróleo pressiona preços ao consumidor
Os aumentos nas margens ocorrem em meio à escalada do preço internacional do barril de petróleo, que passou a superar os US$ 100 e registrou picos próximos de US$ 120 desde o início do conflito. A movimentação no mercado externo se refletiu nas bombas.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o preço médio do diesel ao consumidor subiu 20,4% desde o começo da guerra, saindo de R$ 6,03 na semana encerrada em 28 de fevereiro para R$ 7,26 na semana concluída em 21 de março.
No caso da gasolina comum, a ANP registra alta de 5,9% no período. O litro passou de R$ 6,28 para R$ 6,65 entre as semanas encerradas em 28 de fevereiro e 21 de março.
Governo tenta conter impacto com renúncia fiscal e subsídio
Para tentar frear a alta dos combustíveis, o governo federal adotou nas últimas semanas medidas como a isenção do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre os produtos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo apresentou aos secretários estaduais da Fazenda uma proposta de subvenção ao diesel importado, no valor de R$ 1,20 por litro, montante equivalente à alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A ideia é dividir o custo entre União e Estados.
Segundo apuração do sistema de notícias Broadcast, do Grupo Estado, a maioria dos secretários estaduais deve se posicionar contra a proposta, o que coloca em dúvida a viabilidade do modelo de subsídio cogitado pela equipe econômica.
PF apura possíveis abusos em postos de combustíveis
Paralelamente às discussões sobre políticas públicas, a Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira, a Operação Vem Diesel para fiscalizar e identificar possíveis práticas irregulares de aumento de preços nas bombas.
A ação ocorre em postos de combustíveis localizados nas capitais de 11 estados e no Distrito Federal. O objetivo é verificar se houve reajustes incompatíveis com a variação de custos ao longo da cadeia de combustíveis desde o início do conflito no Oriente Médio.
Com informações do Estadão Conteúdo
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