Economia

Fiscalização em postos e distribuidoras flagra margem de lucro de até 277%

Governo federal identifica alta de até 277% na margem de lucro de distribuidoras e intensifica fiscalização em mais de 3 mil postos para combater preços abusivos no diesel

VIVIANE TAGUCHI

27/03/2026 • 11:59 • Atualizado em 27/03/2026 • 11:59

Resumo

As operações de fiscalização realizadas pelo governo federal em postos de combustíveis e distribuidoras, motivadas por denúncias de aumentos abusivos no preço do óleo diesel, revelaram que distribuidoras elevaram a margem de lucro em até 277%, mesmo com estabilidade nos preços das refinarias, segundo a Senacon e a ANP.

A força-tarefa composta por Polícia Federal, PRF e Procons estaduais monitora indícios de formação de cartel e retenção de estoque, sem constatar desabastecimento que justificasse o aumento ao consumidor, tendo inspecionado mais de 3.181 postos e 236 distribuidoras desde março.

Ações da ANP resultaram em 16 autos de infração contra grandes empresas do setor, incluindo Ipiranga, Raízen e Vibra Energia, com processos administrativos que podem levar a multas e suspensão de atividades, enquanto investigações sobre combinação de preços ocorrem em 11 estados e no Distrito Federal, com fiscalização contínua para garantir a redução dos preços ao consumidor final.

As operações de fiscalização em postos de combustíveis e distribuidoras, realizada pelo governo federal em todo o país, após denúncias de aumentos abusivos no preço do óleo diesel revelou que as distribuidoras aumentaram em até 277% a margem de lucro sobre o óleo diesel. As informações são da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e pela Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP). Segundo as instituições, esta margem de lucro é injustificada diante da estabilidade de preços nas refinarias.

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A força-tarefa, que reúne Polícia Federal, PRF e Procons estaduais, monitora indícios de formação de cartel e retenção de estoque para forçar a alta dos preços nas bombas. Segundo o Ministério da Justiça, não há desabastecimento que sustente a elevação dos valores ao consumidor final.

As autoridades federais já realizaram inspeções em mais de 3.181 postos e 236 distribuidoras desde o início de março. A "Operação Vem Diesel" busca rastrear onde ocorre o gargalo inflacionário que penaliza o transportador e, por consequência, o preço dos alimentos. "É importante ressaltar que não há risco de desabastecimento de diesel no Brasil. O país conta com oferta suficiente de diesel para atender os meses de março e abril e não há falta de produto dentro do país, como mostra a Sala de Monitoramento do Abastecimento, que se reúne a cada 48h para avaliar continuamente a situação”, destacou o secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, Renato Dutra.

A ANP já lavrou 16 autos de infração contra grandes players do setor, incluindo nomes como Ipiranga, Raízen e Vibra Energia. As empresas são questionadas sobre a ausência de justificativa técnica para os reajustes aplicados no período. "Aumentos sem comprovação de elevação de custos são classificados como prática abusiva. Não há falta de diesel no Brasil, o que torna esses reajustes ainda mais injustificáveis", afirma o relatório técnico da Senacon.

Margens desproporcionais e indício de cartel

De acordo com o relatório, o governo identificou que, enquanto o preço de saída das refinarias permaneceu estável, a margem de lucro das distribuidoras saltou de forma atípica, chegando aos mencionados 277% em algumas regiões. Outro agravante aponta para indícios de formação de cartel. A Polícia Federal investiga se houve combinação de preços em 11 estados e no Distrito Federal, onde os valores nas bombas subiram de forma coordenada.

As instituições responsáveis pela operação criou uma Sala de Acompanhamento do Abastecimento que se reúne a cada 48 horas para compilar os dados e atualizar o relatório técnico. O objetivo é garantir que o fluxo de diesel permaneça regular até o final de abril, combatendo a especulação.

As empresas autuadas agora enfrentam processos administrativos que podem resultar em multas milionárias e suspensão de atividades. Caso as irregularidades sejam confirmadas como crimes contra a ordem econômica ou relações de consumo, os relatórios serão encaminhados para a esfera criminal na Polícia Federal. De acordo com a Senacon, a fiscalização segue nas principais rodovias e centros urbanos para assegurar que a redução de preços anunciada pelo governo chegue, de fato, ao tanque dos brasileiros.