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Mais de 100 cidades relatam falta de diesel no RS; colheita está paralisada

Mais de um terço das cidades gaúchas relatam desabastecimento; preço do combustível no interior do estado já ultrapassa os R$ 8,00

VIVIANE TAGUCHI

24/03/2026 • 15:36 • Atualizado em 24/03/2026 • 15:36

Colheita de arroz no Rio Grande do Sul

Colheita de arroz no Rio Grande do Sul

Paulo Rossini/Fedearroz

Um levantamento realizado pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) apontou que pelo menos 165 cidades (um terço das cidades) do Rio Grande do Sul relataram desabastecimento de óleo diesel nesta terça-feira (24). Em alguns municípios do interior, o preço do litro do combustível está sendo vendido por R$ 8. O preço médio do combustível, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), é R$ 7,26.

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A crise de desabastecimento de óleo diesel estado gaúcho levou os produtores rurais a paralisarem a colheita da safra de verão, de soja e arroz. Nas regiões Noroeste e Central do estado, os agricultores relatam a suspensão das atividades de colheita e também, do transporte dos grãos que já haviam sido colhidos nas semanas anteriores até os portos e indústrias de processamento, devido à elevação dos custos do frete.

No início do mês, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul já havia alertado para o risco de paralisação da colheita de grãos no estado devido ao risco de desabastecimento e preços abusivos do diesel na região.

Prioridades no uso do diesel

As prefeituras de cidades gaúchas adotaram regimes de contingência para preservar serviços essenciais. Em Itacurubi, as aulas na zona rural foram suspensas por falta de transporte escolar. Outras prefeituras avaliam medidas similares para os próximos dias.

No setor de transporte coletivo, cidades como Bento Gonçalves, Novo Hamburgo e Porto Alegre reduziram horários de circulação e suspenderam linhas aos domingos. A Famurs orienta que os estoques remanescentes de diesel sejam priorizados exclusivamente para ambulâncias e transporte de pacientes em tratamentos urgentes.

Na capital gaúcha, cerca de 40% dos postos de combustíveis já operam com sistemas de racionamento ou registram falta total de diesel S10. O preço médio em Porto Alegre oscila entre R$ 6,80 e R$ 7,90, com estabelecimentos limitando a litragem por veículo.

A presidente da Famurs, Adriane Perin de Oliveira, afirmou que está dialogando com o governo federal e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Entre as exigências da entidade estão a garantia de cotas prioritárias para regiões produtoras e serviços públicos, além de maior fiscalização contra a especulação de preços.

Diferenças no preço do diesel

A Famurs denunciou, hoje, que em alguns postos, o diesel S-10 vem sendo vendido a R$ 8. Entenda a diferença entre o S10 e o óleo diesel comum:

O Diesel S10 é um combustível mais limpo, apresentando coloração clara, levemente amarelada ou esverdeada. Ele foi desenvolvido para atender às normas ambientais Proconve P7, sendo obrigatório para veículos fabricados no Brasil a partir de janeiro de 2012.

O Diesel Comum (S500) possui uma coloração avermelhada e é destinado exclusivamente a motores de tecnologia antiga, fabricados antes de 2012. Esses motores não possuem os sistemas eletrônicos sensíveis de pós-tratamento de emissões presentes nas máquinas modernas.

No agronegócio, a regra para o abastecimento é seguir rigorosamente o ano de fabricação do motor da máquina. Equipamentos novos e antigos possuem exigências mecânicas distintas em relação à lubricidade e à tolerância ao enxofre. Tratores e colheitadeiras com tecnologia MAR-1 ou fabricados após 2012 devem utilizar obrigatoriamente o Diesel S10. Já os equipamentos fabricados antes de 2012 podem operar com o Diesel Comum (S500).