
Jamieson Greer, representante comercial dos EUA
Evan Vucci/Reuters
O representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira (21) que o governo americano anunciará "em breve" uma decisão sobre tarifas ligadas ao uso de trabalho forçado nas cadeias de produção, reforçando a expectativa de novas sobretaxas recomendadas para diversos países, entre eles o Brasil.
Em entrevista à rede CNBC, Greer disse que a medida terá alcance amplo e "abrange 60 países", mas não detalhou o cronograma nem as listas finais de produtos e origens que poderão ser afetados pela decisão de Washington.
Mais cedo, o Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, informou que o governo americano deve concluir na sexta-feira (24) a investigação sobre trabalho forçado. Segundo o serviço, autoridades e representantes do setor produtivo esperam que o Brasil seja alvo de uma tarifa adicional de 12,5%, cumulativa às alíquotas já anunciadas.
A eventual sobretaxa se somaria às tarifas definidas em outras frentes pelo USTR e pode elevar o custo de exportações brasileiras para o mercado americano, sobretudo em setores mais expostos a questionamentos sobre cadeias internacionais de fornecimento.
Impacto para Brasil e outros parceiros
De acordo com o Broadcast Agro, a perspectiva de inclusão do Brasil na lista de países sujeitos à nova tarifa gera apreensão em segmentos ligados ao comércio exterior, que acompanham o desfecho da investigação conduzida por Washington.
Greer não comentou casos específicos, mas destacou que a política de combate ao trabalho forçado integra a agenda comercial mais ampla dos Estados Unidos. Na visão dele, o governo Donald Trump também busca reduzir o déficit comercial americano por meio do reforço à produção doméstica e regional.
Negociações com o Canadá continuam
Sobre o Canadá, Greer afirmou que as negociações comerciais seguem abertas, mesmo após a imposição de tarifas de 50% anunciadas na segunda-feira (20). "Vamos continuar conversando com nossos colegas canadenses. Não interrompemos as negociações", declarou o representante comercial.
Segundo Greer, os Estados Unidos procuram "resultados que sejam bons para as empresas americanas" e pressionam há um ano para que Ottawa retire medidas retaliatórias adotadas em resposta a tarifas impostas por Trump. Ele afirmou ainda que a reação americana às ações canadenses foi "sob medida".
Conteúdo regional no acordo EUA-México-Canadá
Greer também defendeu o fortalecimento do conteúdo regional no Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). Ele explicou que o governo pretende ampliar a participação de componentes produzidos na América do Norte nas cadeias industriais e incentivar a fabricação de automóveis na região.
Ao comentar a estratégia, Greer afirmou que o objetivo é reduzir a dependência de insumos de outras regiões e, ao mesmo tempo, apoiar o esforço de Trump para diminuir o déficit comercial dos Estados Unidos com seus parceiros.
IA chinesa na mira por propriedade intelectual
Na área de tecnologia, o representante comercial afirmou que o governo considera a destilação de modelos de inteligência artificial (IA) por empresas chinesas uma forma de roubo de propriedade intelectual.
Segundo Greer, diversas agências do governo americano analisam o tema, em linha com declarações do secretário do Tesouro, Scott Bessent, sobre a possibilidade de sanções caso se comprove o uso de propriedade intelectual americana no desenvolvimento de modelos chineses de IA.
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