Economia

Guerra no Irã interrompe produção de hélio no Catar; entenda

Ofensiva contra a planta de Ras Laffan reduz exportações em 14% e impacta setores de semicondutores, exploração espacial e medicina

Da redação
DA REDAÇÃO

21/03/2026 • 15:58 • Atualizado em 21/03/2026 • 16:03

Irã

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Agência Brasil

A escalada de tensão no Oriente Médio atingiu um ponto crítico nesta semana com novos ataques do Irã contra instalações de exportação de gás natural do Catar. A ofensiva compromete o fornecimento global de hélio, insumo essencial para indústrias de alta tecnologia, como a fabricação de semicondutores, foguetes espaciais e equipamentos de ressonância magnética.

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O Catar é responsável por cerca de 30% da produção mundial do gás, ocupando a posição de fornecedor de um terço do mercado global, segundo dados do Serviço Geológico dos EUA.

A produção em Ras Laffan, a maior planta de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, foi interrompida pela estatal QatarGas em 2 de março após os primeiros ataques de drones. Dois dias depois, a companhia declarou "força maior", sinalizando a impossibilidade de cumprir contratos devido a circunstâncias fora de seu controle.

Com os novos bombardeios registrados na última quarta e quinta-feira, a empresa relatou danos extensos que exigirão anos para reparo, resultando em uma queda imediata de 14% nas exportações anuais de hélio.

Impacto nos preços e cadeias de suprimento

O mercado de hélio já sente os reflexos da crise, com os preços à vista dobrando desde o início do conflito. Embora o comércio à vista represente apenas 2% do mercado total, especialistas alertam que os valores dos contratos de longo prazo devem sofrer aumentos significativos caso a interrupção se prolongue. O desabastecimento físico ainda não atingiu plenamente os consumidores finais, pois as cargas despachadas no início de março ainda estão em trânsito para mercados como a Ásia.

A escassez preocupa especialmente o setor de tecnologia de ponta:

  • Semicondutores: O hélio é indispensável na fabricação de chips usados em modelos de inteligência artificial.
  • Medicina: O gás é utilizado para resfriar os ímãs supercondutores das máquinas de ressonância magnética.
  • Indústria Espacial: Empresas como SpaceX e Blue Origin dependem do insumo para purgar tanques de combustível de foguetes, uma demanda que está em expansão.

Segundo a análise de especialistas do setor, o cenário de danos na infraestrutura do Catar coloca em risco a estabilidade de cadeias produtivas globais que já enfrentavam desafios logísticos nos últimos anos.

Com informações do Estadão Conteúdo