
Navio ancorado em Mascate em meio a tensões no Estreito de Ormuz
Benoit Tessier-9.mar.2026/Reuters
O petróleo despencou cerca de 11% nesta terça-feira (10), após sinais de retomada da navegação no Estreito de Ormuz e a expectativa de que a Agência Internacional de Energia (AIE) possa liberar petróleo de reservas estratégicas para reforçar a oferta global.
A queda interrompeu três sessões consecutivas de forte alta, impulsionadas pelo temor de interrupção no fornecimento da commodity em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril caiu 11,9% (US$ 11,32), a US$ 83,45 o barril. Já o Brent para maio recuou 11,2% (US$ 11,16), a US$ 87,80 o barril, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
As perdas se intensificaram ao longo da tarde. O WTI chegou a ser negociado perto de US$ 76 após o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, anunciar uma reunião para avaliar a segurança do abastecimento global de petróleo.
O encontro deve discutir a eventual liberação de petróleo das reservas estratégicas de alguns países, medida que ampliaria a oferta da commodity no mercado internacional.
O mercado também reagiu a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, feitas nesta segunda-feira (9), de que a guerra contra o Irã estaria “perto do fim”, o que ajudou a reduzir o prêmio de risco nos preços.
Segundo Phil Flynn, analista do Price Futures Group, relatos de travessia de embarcações no Estreito de Ormuz contribuíram para uma forte reversão nas cotações do petróleo.
De acordo com ele, mais de 20 navios comerciais teriam conseguido cruzar o estreito na última semana usando rotas discretas. A avaliação é que outras embarcações podem tentar a travessia caso a situação na região se estabilize.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, chegou a afirmar que a Marinha americana havia escoltado um petroleiro pelo estreito. A declaração foi apagada posteriormente e desmentida pela Casa Branca. O Irã, por sua vez, informou que suas forças militares estão preparadas para um eventual confronto com os Estados Unidos na região.
Apesar da queda nos preços, o risco para o abastecimento global permanece. Segundo a Bloomberg, países do Golfo Pérsico reduziram a produção em até 6,7 milhões de barris por dia, cerca de 6% da oferta mundial.
Também há relatos de que sanções ao petróleo russo possam ser parcialmente suspensas após conversa entre Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o que ampliaria a oferta no mercado internacional.
Com informações do Estadão Conteúdo.

