Economia

Preço do diesel registra quarta queda em cinco semanas, aponta ANP

Combustível acumula queda de 4,5% em pouco mais de um mês impulsionado por subsídios e desonerações, mas valor nas bombas ainda reflete os impactos da guerra no Irã

Da redação
DA REDAÇÃO

11/05/2026 • 17:24 • Atualizado em 12/05/2026 • 11:48

Diesel está mais barato, mas governo zerou PIS e Cofins devido ao conflito no Oriente Médio

Diesel está mais barato, mas governo zerou PIS e Cofins devido ao conflito no Oriente Médio

Diesel e o etanol não sofreram reajustes (Foto: Agência Brasil)

O preço do óleo diesel no Brasil apresentou o quarto recuo em um período de cinco semanas, acumulando uma retração de 4,5% no intervalo. Apesar da trajetória recente de baixa, o combustível — essencial para o transporte de cargas e passageiros — ainda opera 18,9% acima dos valores registrados antes do início do conflito no Irã, em 28 de fevereiro.

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Os dados foram consolidados pelo monitoramento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na semana entre 3 e 9 de maio, o preço médio de revenda do diesel S10 foi de R$ 7,24. O etanol é atualmente o combustível mais barato, devido ao aumento da oferta, com o início da colheita da cana-de-açúcar no campo e mais usinas que utilizam milho como matéria-prima.

Evolução dos Preços (Diesel S10)

Abaixo, o histórico do preço médio por litro nas últimas semanas de pesquisa:

28/03: R$ 7,57

04/04: R$ 7,58

11/04: R$ 7,58 (Pico de preço)

18/04: R$ 7,51

25/04: R$ 7,38

02/05: R$ 7,28

09/05: R$ 7,24

Comparativo com o período pré-guerra

A escalada de preços foi impulsionada pela instabilidade no Oriente Médio após ataques ao Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% da produção global de óleo e gás. Em 28 de fevereiro, o diesel S10 custava, em média, R$ 6,09.

O diesel S500 seguiu trajetória similar, caindo de R$ 7,45 para R$ 7,05 nas últimas cinco semanas (recuo de 5,37%). No entanto, acumula alta de 17% em relação ao pré-guerra.

O S10 é o combustível mais utilizado no país (70% do consumo), sendo obrigatório para veículos fabricados a partir de 2012 por emitir menos enxofre que o S500.

A queda recente coincide com ações governamentais para frear a inflação no setor produtivo. Desde 1º de abril, o governo oferece subsídios de até R$ 1,12 por litro para o diesel nacional e R$ 1,52 para o importado, condicionado ao repasse do desconto ao consumidor final. Houve a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o óleo diesel.

A Petrobras, que fornece cerca de 78% do diesel no país, evitou repassar integralmente a volatilidade do barril de petróleo Brent (que saltou de US$ 70 para picos de US$ 120) aos postos.

Segundo Iago Montalvão, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), as medidas fiscais e a estratégia da Petrobras foram fundamentais para estabilizar o mercado.

Embora o Brent continue em patamares elevados (negociado a US$ 104 nesta segunda-feira), o especialista avalia que os agentes econômicos já se ajustaram à nova realidade logística, permitindo a desaceleração dos reajustes e as reduções pontuais observadas na bomba.

Com informações da Agência Brasil