Economia

Gasolina e alimentos ficam mais caros no Brasil com guerra no Oriente Médio

Entenda por que o bombardeio no Irã faz o preço da gasolina, diesel, passagens aéreas e de alimentos subirem no Brasil

VIVIANE TAGUCHI

03/03/2026 • 11:20 • Atualizado em 03/03/2026 • 11:20

A tensão geopolítica no Oriente Médio atingiu um novo patamar crítico após o bombardeio da sede da presidência do Irã, em uma ofensiva atribuída a Israel, nesta terça-feira (3). Segundo dados da Cruz Vermelha, o número de vítimas fatais já se aproxima de 800, mas o rastro de destruição sugere que o balanço final pode ser ainda mais trágico devido à dificuldade de resgate nas áreas atingidas.

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Para além da tragédia humanitária, o conflito acendeu um alerta vermelho no mercado financeiro e nos postos de combustíveis, inclusive no Brasil. A guerra no Oriente Médio já provocou uma disparada no preço do petróleo e os reflexos devem ser sentidos em todo o mundo, com a alta nos preços da gasolina e óleo diesel, alimentos e passagens aereas e frete.

O motivo é o Estreito de Ormuz, uma garganta marítima estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Qualquer interrupção nesse fluxo provoca um efeito cascata imediato: o barril do tipo Brent dispara e, consequentemente, as refinarias, no caso do Brasil, a Petrobras, sofre pressão para reajustar seus preços.

Os consumidores devem ser os mais afetados pela alta do petróleo no mundo, já que a economia nacional é dependente do transporte rodoviário. Com o diesel e a gasolina mais caros nas refirnarias, o frete para transportar alimentos, por exemplo, sobe, impactando o preço dos alimentos nos supermercados: arroz, feijão e carne devem subir nas próximas semanas, impactando os índices de inflação. Os preços dos alimentos no Brasil ainda devem subir mais rápido, já que o agronegócio nacional é altamente dependente da importação de fertilizantes.

Outro item que tende a subir são as passagens aereas, que sofrem o impacto do custo do querosene de aviação (QAV).

Geopolítica e a fragilidade da ONU

Nesta terça-feira (3), em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, o professor de direito Emanuel Pessoa analisou o cenário e destacou a paralisia das instituições internacionais. Segundo o especialista, o conflito evidencia os "limites práticos" da Organização das Nações Unidas (ONU). "A ONU hoje é um espaço de debate, mas sem força militar ou poder coercitivo real", afirmou Pessoa. Para ele, a dinâmica internacional continua sendo guiada pelo pragmatismo e pelos interesses estratégicos das grandes potências, deixando as normas multilaterais em segundo plano.

Enquanto o Ocidente reage militarmente, a China adota uma postura de cautela estratégica. Pequim evita o envolvimento direto, observando o desgaste econômico de seus rivais enquanto protege suas próprias reservas de energia. No Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta críticas e debates sobre sua condução diplomática. Analistas questionam se o Itamaraty tem agido sob uma lógica de Estado — visando a neutralidade e a segurança energética — ou se tem se deixado levar por alinhamentos ideológicos que podem isolar o país em fóruns internacionais.