Economia

Ministro de Lula defende retorno do Estado à distribuição de combustíveis

Ministro da Casa Civil fala em novos modelos e defende mais concorrência no segmento, apesar de cláusula que protege a Vibra até 2029

Da redação com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO COM ESTADÃO CONTEÚDO

12/03/2026 • 14:52 • Atualizado em 12/03/2026 • 14:57

Rui Costa, ministro da Casa Civil

Rui Costa, ministro da Casa Civil

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, admitiu nesta quinta-feira (12) a possibilidade de o governo Luiz Inácio Lula da Silva voltar a atuar diretamente no setor de distribuição de combustíveis, ao defender o aumento da concorrência nesse mercado.

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Segundo ele, as discussões ainda estão em fase inicial e não há decisão tomada sobre o formato dessa eventual retomada. O ministro indicou, porém, que o governo pode avaliar alternativas ao modelo anterior, quando a Petrobras controlava a antiga BR Distribuidora.

Governo discute modelos para ampliar concorrência

Rui Costa afirmou que a presença de um agente estatal na distribuição de combustíveis pode estimular a competição e reduzir a concentração no segmento. Ele mencionou que o debate envolve não apenas a Petrobras, mas também a possibilidade de um novo entrante com participação do Estado.

Podemos pensar em outros modelos, mas isso tudo ainda será discutido. Nada que possa ser anunciado ou esteja público até agora. Mas é evidente que é preciso e eu vou insistir nisso: a Petrobras nunca teve na distribuição, ao varejo, o domínio absoluto

Na visão de Rui Costa, o objetivo do governo é criar condições para ampliar a oferta e fortalecer a concorrência na ponta, o que, na avaliação dele, tende a beneficiar o consumidor.

Críticas à privatização da antiga BR

O governo Lula tem feito críticas à privatização da BR Distribuidora, realizada durante a gestão de Jair Bolsonaro. A empresa, que era subsidiária da Petrobras na área de distribuição de combustíveis, passou a se chamar Vibra Energia após a venda do controle acionário.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, já classificou a privatização da companhia como "crime de lesa-Pátria". A fala dele se alinha às críticas da atual gestão à forma como ocorreu a desestatização da distribuidora.

Cláusula trava retorno da Petrobras até 2029

Apesar das críticas, o governo tem reiterado que respeitará o contrato que impede a Petrobras de concorrer com a Vibra na distribuição de combustíveis até 2029. O compromisso foi assumido no processo de privatização da antiga BR Distribuidora.

Rui Costa ressaltou que qualquer mudança no desenho do mercado precisará observar esses limites legais e regulatórios. Ele reforçou que, por enquanto, o debate ocorre internamente e não há proposta formalizada para a criação de uma nova estatal ou para o retorno direto da Petrobras à atividade de distribuição.

Mesmo assim, o ministro reiterou que vê espaço para rever a estrutura do setor no médio prazo, com a entrada de novos agentes e maior presença do Estado, desde que as medidas preservem a segurança jurídica dos contratos já firmados.