Economia

Super El Niño, previsto para este ano, ameaça encarecer conta de luz

Com 96% de probabilidade de ocorrência, fenômeno deve reduzir chuvas em reservatórios, forçar acionamento de termelétricas e pressionar adoção da bandeira vermelha

Da redação
DA REDAÇÃO

20/05/2026 • 18:26 • Atualizado em 20/05/2026 • 23:25

Conta de energia pode subir significativamente nos próximos meses

Conta de energia pode subir significativamente nos próximos meses

Marcello Casal JrAgência Brasil

A comunidade científica internacional acendeu o alerta: o avanço das condições climáticas aponta para a formação de um Super El Niño até o fim de 2026. Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 96% de probabilidade de o fenômeno estar plenamente ativo nos próximos meses, com potencial para atingir intensidades históricas.

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Para o brasileiro, o impacto vai além do calor excessivo, atingindo diretamente o bolso por meio da conta de energia elétrica.

O Brasil possui uma matriz energética majoritariamente dependente de hidrelétricas. Com a chegada do fenômeno, a tendência é de redução severa de chuvas em regiões estratégicas para os reservatórios. "Quando o nível dos reservatórios cai, o Operador Nacional do Sistema (ONS) precisa acionar as usinas termelétricas. Como elas utilizam combustíveis fósseis, o custo de geração é muito mais alto, o que é repassado ao consumidor", explica Gustavo Ayala, CEO do Grupo Bolt.

Bandeira Vermelha no horizonte

A principal ferramenta de ajuste do governo para esses cenários são as bandeiras tarifárias. Caso a previsão de seca se confirme, o acionamento da Bandeira Vermelha torna-se iminente, adicionando uma taxa extra a cada 100 kWh consumidos.

Para o consumidor residencial, o impacto é no orçamento mensal; para o setor produtivo, o problema é a previsibilidade.

Empresas que dependem de alta carga de energia enfrentam dificuldades para projetar custos em meio à volatilidade climática. Matheus Machado, especialista em inteligência de mercado do Grupo Bolt, destaca cinco pontos cruciais desse cenário:

  • Queda na geração hidrelétrica: A escassez hídrica força a mudança na composição da oferta de energia no país.
  • Custo de operação: O acionamento de térmicas encarece toda a cadeia produtiva, pressionando a inflação.
  • Gestão de riscos: A volatilidade dos preços exige que empresas busquem alternativas, como o Mercado Livre de Energia.
  • Memória histórica: Comparativos com anos anteriores de El Niño mostram que a demora em reagir ao fenômeno pode causar rombos financeiros em setores industriais.
  • Incerteza climática: A mudança nos padrões de chuva dificulta o planejamento de longo prazo para novos investimentos.

Especialistas recomendam que, tanto cidadãos quanto gestores, adotem medidas de eficiência energética antes do pico do fenômeno. No caso das empresas, a migração para fontes renováveis ou a negociação de contratos no mercado livre surgem como "escudos" contra as oscilações bruscas causadas por eventos climáticos extremos.

Com o Super El Niño batendo à porta, o monitoramento constante do nível dos reservatórios e das decisões da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) será fundamental para atravessar 2026 sem surpresas na fatura.