O endividamento das famílias brasileiras segue em crescimento e preocupa especialistas do setor financeiro. Segundo dados recentes divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 80,4% dos brasileiros estão endividados. Além disso, quase um terço da população não possui nenhuma reserva financeira, dificultando ainda mais a capacidade de enfrentar emergências ou planejar o futuro.
Marcelo Billi, superintendente de educação da Anbima, destaca que o cenário é alarmante. "Se um terço dos brasileiros não tem nenhuma reserva, a situação é mais alarmante quando você olha, por exemplo, para os outros 20%, que têm uma reserva bem menor. Tem no máximo um mês de reserva. Então, a gente tem mais da metade da população que, qualquer emergência que aconteça, do ponto de vista de perder renda, de ter algum imprevisto, as pessoas têm menos de 1 mês de reserva ou nenhuma", afirma o especialista.
A pesquisa realizada pela Anbima mostra que, além da ausência de reservas, há uma estagnação da renda e um alto grau de endividamento entre as famílias brasileiras. Apesar disso, Billi observa que há uma vontade significativa por parte dos brasileiros de organizar as finanças e começar a poupar. "Existe essa vontade das pessoas de sair do endividamento, de tentar se reorganizar e de passar pelo menos a ter uma reserva", comenta.
O especialista explica que a construção de uma reserva financeira passa por etapas e pode envolver diferentes objetivos, como a reserva de emergência ou o planejamento para aquisição de bens, como um imóvel ou um carro. Contudo, ressalta que o primeiro passo é superar o endividamento. "A primeira coisa que todo mundo que está passando por essa situação ou de superendividamento ou de endividamento precisa fazer é não ignorar o problema", destaca Billi. Ele acrescenta que enfrentar a questão pode ajudar a encontrar caminhos para resolvê-la e identificar possíveis soluções, como renegociação de dívidas ou opções de crédito com juros menores.
Outro ponto relevante é o perfil das pessoas sem reserva financeira. Segundo Billi, "a maioria dos que não tinham nenhuma reserva são os mais velhos, de 45 a 64 anos". Esse grupo enfrenta desafios maiores, tanto pelo menor espaço no mercado de trabalho quanto pelo comportamento financeiro consolidado ao longo dos anos. "Essa é uma geração em que a conversa sobre dinheiro era um tabu. Não era normal a gente falar sobre as nossas dificuldades financeiras, não era uma conversa que a gente tinha em família", observa o superintendente. Para essas faixas etárias, ele recomenda combater o tabu, admitir o problema e buscar novas fontes de renda ou formas de organizar o orçamento.
Sobre a formação de reservas, Billi orienta que o ideal é começar pela reserva de emergência, ajustando o valor de acordo com o perfil e a estabilidade de renda de cada pessoa. "Para a reserva de emergência, a regra é pensar em como é o comportamento das suas receitas, das suas rendas e estimar ali o que seria seguro, o que te deixaria confortável. Três meses de gasto, seis meses de gastos. Pessoas muito conservadoras preferem ter um ano de gastos na reserva de emergência para estar muito segura", explica.
Após superar o endividamento e garantir a reserva de emergência, o especialista sugere que o planejamento financeiro avance para outros objetivos, como a realização de sonhos ou projetos de longo prazo. "A partir da reserva de emergência, você pode começar a pensar em sonhos, nas suas férias, no seu imóvel, na educação dos seus filhos e começar a separar esses dinheiros e essas economias em diferentes bolsos", orienta.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

