
Médicos e residentes de 15 países participaram da primeira edição do BS Summit Brasil
BS Summit Brasil/Divulgação
Ser médico vai muito além de atender pacientes. A formação profissional envolve estudo contínuo, pesquisa, troca de experiências e busca por novas formas de aprimorar a assistência. Para quem ainda está no ensino médio ou se prepara para o vestibular de medicina, entender como esse conhecimento é construído ajuda a enxergar a carreira para além da rotina de consultórios e hospitais.
Entre no canal do WhatsApp do Quero Estudar Medicina e receba conteúdos exclusivos.
Nossa equipe de reportagem acompanhou a primeira edição do BS Summit Brasil –Congresso de LCA e Periferias–, realizado entre 30 de julho e 1º de agosto, em São Paulo, e conversou com os organizadores sobre a importância da pesquisa científica, da participação em congressos e da troca de experiências para a formação médica.
O evento reuniu especialistas do Brasil e de outros 15 países, promoveu debates científicos, aulas, treinamentos práticos e cirurgias transmitidas ao vivo.
Para o médico Vítor Barion Castro de Pádua, ortopedista e cirurgião de joelho, membro fundador do BS Knee e um dos idealizadores do evento, congressos são espaços de troca. Segundo ele, mesmo quem está na posição de ensinar também aprende com as experiências, perguntas e discussões dos participantes.
Você não vai parar de aprender e de estudar nunca. A área da saúde tem sempre alguma coisa nova. Vítor Barion Castro de Pádua
A programação do congresso incluiu treinamentos em cadáveres, atividade que permite a residentes e profissionais praticar técnicas em uma estrutura considerada pelos especialistas como a mais próxima de uma cirurgia real. “É uma forma que ele aprende novas técnicas, ou ele tem uma chance de praticar, ou de treinar uma técnica nova”, explica.
Segundo o médico, o principal beneficiado por esse processo é o paciente. Ao ampliar o conhecimento e aperfeiçoar técnicas, o profissional pode levar o aprendizado para a prática clínica e cirúrgica.
Pesquisa também faz parte da formação médica
Pedro Baches, ortopedista e cirurgião de joelho, com pós-doutorado pela Santa Casa de São Paulo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ) e principal anfitrião do congresso, destaca que a profissão médica está apoiada em quatro pilares: assistência, ensino, pesquisa e inovação.
“A parte de pesquisa é muito importante, porque é isso que vai melhorar o jeito que a gente trata os nossos pacientes, é isso que faz evoluir o conhecimento médico”, afirma.
Para Baches, participar de um congresso não significa apenas assistir a aulas. As perguntas feitas pelos participantes também podem ajudar os professores a identificar lacunas no conhecimento e a refletir sobre novas possibilidades.

O médico Pedro Baches durante palestra no BS Summit Brasil I Divulgação: Assessoria
A trajetória dos próprios especialistas mostra como a pesquisa pode contribuir para a evolução da prática médica. Durante a pandemia, Baches e outros pesquisadores utilizaram peças cadavéricas para estudar uma região pouco explorada do joelho.
O trabalho levou à identificação de uma estrutura que recebeu o nome de ligamento oblíquo anterior, que, segundo o médico, vem sendo estudada como um reforço para o ligamento cruzado.
A pesquisa também demonstra como a produção científica pode ultrapassar fronteiras. A descoberta é discutida com especialistas de outros países, em um processo de troca de informações e construção coletiva do conhecimento.
O conhecimento médico é construído continuamente
O médico Camilo Partezani Helito, ortopedista e cirurgião de joelho, membro fundador do BS Knee e um dos idealizadores do evento, conta que seu interesse pela pesquisa cresceu principalmente no fim da residência médica em ortopedia e durante a especialização em cirurgia do joelho.
A partir daí, sua maneira de pensar sobre a profissão mudou. Para ele, quanto mais o médico estuda, mais percebe que existem questões a serem investigadas e possibilidades de aperfeiçoamento.
“Quanto mais você estuda, mais vão aparecendo conceitos novos, formas novas de você poder tratar e melhorar seu tratamento”, afirma.
Para quem está começando a construir a carreira médica, os especialistas defendem uma formação ampla. Vítor aconselha o estudante a escolher uma especialidade de que realmente goste e a não limitar sua formação ao conhecimento estritamente médico. Para ele, é importante também conhecer outras áreas que podem contribuir para a carreira.
Camilo reforça que a formação exige dedicação e responsabilidade. “Pensem o que é o certo para você, para o seu paciente, o que você gostaria que fosse feito com você como paciente”, orienta.
Mais do que uma profissão em que o aprendizado termina com o diploma, a medicina é uma carreira construída continuamente. Pesquisa, ensino, inovação e troca de experiências fazem parte desse processo e podem começar muito antes de o estudante vestir o primeiro jaleco.
“Quanto mais você estuda, mais você faz ciência, mais você vê que tem espaço para aprender”, conclui Pedro.
