
Gianni Infantino e Aleksander Ceferin, presidente da Uefa
REUTERS/Benoit Tessier/File Photo
A crise política na Fifa ganhou um novo e ruidoso capítulo nesta quarta-feira (5). Documentos confidenciais obtidos pelo jornal britânico The Guardian revelaram que o presidente da entidade, Gianni Infantino, negociou secretamente a criação de uma Superliga na Europa com a marca e a participação direta da própria instituição governante do futebol mundial.
A revelação ocorre no mesmo momento em que o dirigente tenta contornar o desgaste causado pelo fracasso do projeto FIFA Forward Enterprise (FFE). Os papéis vazados, datados de outubro de 2020, mostram que as conversas avançaram até a elaboração de um termo de acordo para batizar o torneio rebelde de "FIFA Super League".
Ações preferenciais e controle sobre o calendário
O documento detalhava uma parceria de ao menos 12 anos entre a entidade e os clubes fundadores da liga privada. Em troca do apoio e do uso de seu nome, a organização receberia ações preferenciais (golden share) na joint venture responsável por gerir as operações comerciais do campeonato.
Essa participação daria à instituição poder de veto e decisão sobre pontos centrais do futebol europeu e global:
Controle da gestão: Direito de voto sobre mudanças no formato da competição, distribuição de verbas de solidariedade e a nomeação do CEO do torneio.
Corte nas seleções: O plano previa condensar todo o calendário de jogos internacionais de seleções em apenas duas janelas anuais de duas semanas cada.
Aprovação sem consulta: As negociações avançaram de forma paralela, contornando as federações membros e as confederações continentais.
Contradição pública e pressão por renúncia
O vazamento expõe uma profunda contradição na postura do mandatário. Em abril de 2021, quando o projeto da Superliga foi anunciado publicamente pelos clubes sem o selo da entidade, Infantino discursou no Congresso da Uefa afirmando que a organização "só poderia desaprovar fortemente a criação da Superliga".
A revelação de que a alta cúpula da entidade trabalhou nos bastidores para encabeçar o projeto privado intensifica o isolamento do dirigente, que já enfrentava forte resistência de membros do Conselho da Fifa e de federações sul-americanas e europeias.
Infantino nega envolvimento
Através do perfil oficial da Fifa no X (antigo Twitter), Infantino declarou que, na entidade "só podemos desaprovar fortemente a criação d euma superliga" dissidente.
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