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Após nova troca de ataques, Donald Trump diz que acordo com Irã ‘acabou’

Para o presidente dos Estados Unidos, é ‘perda de tempo’ negociar com iranianos, mas não descarta totalmente a continuidade das conversas

da redação com dw
DA REDAÇÃO COM DW

08/07/2026 • 07:38 • Atualizado em 08/07/2026 • 15:45

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (8) que o acordo provisório de paz firmado com o Irã acabou, colocando o Oriente Médio novamente sob a ameaça de um conflito mais amplo.

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A declaração foi feita às margens da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Ancara, na Turquia, e horas depois de ataques mútuos terem, mais uma vez, posto à prova o acordo preliminar.

"Por mim, acho que acabou", respondeu Trump ao ser questionado sobre a situação do cessar-fogo. "É apenas perda de tempo lidar com eles", disse, se referindo aos líderes iranianos como "escumalha" e mentirosos.

Trump acrescentou que os representantes dos EUA podem continuar as negociações "se quiserem", mas expressou ceticismo quanto ao resultado. "Eles podem conversar, mas acho que estão perdendo tempo", disse.

Militares americanos atacaram dezenas de alvos no Irã na noite desta terça-feira, em retaliação por Teerã ter atingido três navios mercantes no Estreito de Ormuz. Washington também restabeleceu sanções ao petróleo iraniano, revogando assim a capacidade da República Islâmica de vender petróleo bruto livremente no mercado mundial.

As forças militares de Teerã responderam aos ataques dos EUA. O Kuwait, um país do Golfo Pérsico que é aliado dos EUA, relatou ter sido alvo de disparos. Sirenes também soaram no Bahrein na madrugada desta quarta-feira.

Os novos ataques mútuos seguiram um padrão semelhante ao observado durante a vigência instável do cessar-fogo, e o aval de Trump a que seus negociadores continuem conversando deixa uma janela aberta para salvar o acordo.

O Irã afirmou, nesta quarta-feira (8), que atacou 85 instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein em resposta aos novos bombardeios dos Estados Unidos à Teerã.

EUA bombardeiam o Irã em retaliação

Os Estados Unidos lançaram nesta terça-feira (7) uma série de ataques contra o Irã em retaliação a ofensivas iranianas contra três navios comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz. O anúncio foi feito pelo Comando Central das Forças Armadas americanas (Centcom) em comunicado publicado nas redes sociais.

Segundo o Centcom, os ataques foram lançados "para impor pesados custos" ao Irã por atingir embarcações comerciais tripuladas por civis em uma via internacional.

O comando classificou a ofensiva iraniana como uma violação clara do cessar-fogo em vigor. Após o anúncio, a mídia estatal iraniana relatou múltiplas explosões em localidades do sul do país, incluindo Bandar Abbas, a Ilha de Qeshm e a cidade portuária de Sirik.

Os ataques iranianos que motivaram a retaliação atingiram três embarcações entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça, próximo às águas territoriais de Omã.

Um dos alvos foi o petroleiro catariano Al Rekayyat, que transportava gás natural liquefeito (GNL) e foi atingido a cerca de oito milhas náuticas da costa de Limah, em Omã, provocando um incêndio. A Arábia Saudita informou que outro de seus navios, o petroleiro de petróleo bruto Wedyan, também foi atacado ao passar pelo estreito. Não houve registro de vítimas.

O Catar responsabilizou o Irã "integralmente" pelo episódio e exigiu que Teerã cesse práticas que ameacem a segurança regional e coloquem em risco o fornecimento global de energia. A Arábia Saudita condenou os ataques como uma agressão à segurança da navegação internacional e ao abastecimento energético mundial. O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo classificou a ofensiva como uma escalada perigosa.

Funeral de Ali Khamenei

A nova troca de ataques ocorreu durante o funeral do antigo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que foi morto em 28 de fevereiro nos primeiros momentos da guerra, aos 86 anos. Pouco antes do início das cerimônias fúnebres, a Guarda Revolucionária alertou contra a realização de ataques pelos EUA. "Qualquer erro de cálculo será recebido com uma resposta decisiva e mais dura do que nunca", afirmou.

As negociações para um acordo final deveriam começar após o enterro de Khamenei e se concentrar nas questões mais difíceis, incluindo a reabertura total do Estreito de Ormuz e a reversão do contestado programa nuclear de Teerã. Mas os novos ataques colocaram isso em questão.

O funeral, que termina nesta quinta-feira, era para ser um período de menor tensão, apesar de os participantes terem repetidamente pedido a morte do presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O Irã iniciou no sábado seis dias de cerimônias fúnebres públicas, incluindo um dia no Iraque, país que alberga alguns dos santuários mais venerados pelos muçulmanos xiitas.

As cerimônias prosseguiram nesta terça-feira no Irã, na cidade sagrada de Qom, com orações fúnebres e um grande cortejo, após os três dias de eventos em Teerã, assistidos por milhões de pessoas, segundo números oficiais da República Islâmica.

Cerimônias fúnebres foram realizadas nesta quarta-feira na cidade iraquiana de Najaf, com a presença do presidente iraniano Masoud Pezeshkian e de outras autoridades iranianas e iraquianas, incluindo o primeiro-ministro Ali Falah al-Zaidi. Haverá orações fúnebres mais tarde num santuário em Carbala.

O filho de Khamenei, o novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, ainda não apareceu nas cerimônias. Acredita-se que ele esteja escondido depois de ter sido ferido no ataque aéreo que matou seu pai.

O corpo de Khamenei retorna ao Irã para ser enterrado nesta quinta-feira no santuário do imã Reza, em Mashhad, sua cidade natal e também considerada uma cidade sagrada para os muçulmanos xiitas por albergar esse mausoléu.