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Irã diz que sempre foi 'guardião' de Ormuz e critica taxa de 20% de Trump

Para o ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, a taxa de 20% imposta pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para a passagem pelo estreito é muito alta

Da redação
DA REDAÇÃO

13/07/2026 • 15:49 • Atualizado em 13/07/2026 • 16:22

Abbas Araghchi

Abbas Araghchi

REUTERS/Pierre Albouy

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou nesta segunda-feira (13) que Teerã sempre foi o “guardião” do Estreito de Ormuz e assim permanecerá “para sempre”, acrescentando que a taxa de 20% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a passagem pelo estreito é muito alta.

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"O presidente dos EUA está absolutamente certo. Quem quer que forneça passagem segura e protegida para navios comerciais pelo Estreito de Ormuz deve ser compensado por esse serviço", escreveu na rede X. "20% é, claro, demais. Seremos justos".

Entenda

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13) que o país será reconhecido como “guardião” do Estreito de Ormuz e que Washington irá impor uma taxa de 20% de toda carga que passar pela rota marítima.

Segundo ele, o Estreito de Ormuz está e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Além disso, conforme o republicano, o bloqueio iraniano está restabelecido.

“O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim chamado porque impede apenas que os navios ou clientes do Irã entrem ou saiam. Todos os demais países terão acesso justo e livre ao Estreito”, disse Trump na plataforma Truth Social.

“Os EUA serão, a partir de agora, conhecidos como ‘O guardião do Estreito de Ormuz’, mas, nessa qualidade e por uma questão de Justiça, receberão um reembolso de 20% sobre toda a carga transportada, a título de compensação por todos e quaisquer custos necessários para cumprir a missão de garantir a segurança e a proteção dessa região tão instável do mundo”, afirmou.

De acordo com o republicano, o processo e a implementação “terão início imediatamente”.

Mais cedo, em entrevista à Fox News, o presidente norte-americano já havia informado que os Estados Unidos assumirão o controle da rota marítima e que cobrarão pedágio.

Ele também afirmou que o Irã "deveria reembolsar" os custos dessa operação, sem fornecer detalhes sobre como isso ocorreria. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) classificou como "arrogantes" as declarações do republicano.

A cobrança de taxas para a travessia de Ormuz por parte do Irã tem sido rechaçada por líderes europeus e americanos, inclusive pelo próprio presidente americano. As declarações de Trump sobre o controle do estreito também lançam dúvidas sobre as afirmações do Comando Central dos EUA (Centcom), que ontem negou o domínio persa sobre a hidrovia.

O que é o Estreito de Ormuz?

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do planeta. Localizado no Oriente Médio, ele liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, servindo como única saída marítima para o Mar Arábico e, consequentemente, para o Oceano Índico. Por essa posição estratégica, o estreito é considerado um dos principais “pontos de estrangulamento” do comércio global de energia.

No incídio do mês de março, dias após o início da guerra com os Estados Unidos, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, o que provoca altas sucessivas nos preços do petróleo.

Segundo o presidente norte-americano Donald Trump, Teerã pediu um cessar-fogo no conflito. Porém, o republicano condiciona a trégua à reabertura do Estreito de Ormuz.

A relevância do Estreito de Ormuz está diretamente ligada ao petróleo e ao gás natural. Estimativas de agências internacionais indicam que entre 20% e 30% de todo o petróleo consumido no mundo passa diariamente por essa rota. Além disso, o estreito é fundamental para o transporte de gás natural liquefeito (GNL), especialmente exportado por países do Golfo.

*Com informações do Estadão Conteúdo.