O juiz Samuel de Oliveira Magro, do Tribunal de Taxas e Impostos de São Paulo, foi libertado de um cativeiro em Osasco na manhã desta terça-feira (20), após passar quase dois dias em poder de criminosos. O resgate estratégico só foi possível porque o magistrado conseguiu usar um código de segurança previamente combinado com o companheiro durante uma ligação monitorada pelos sequestradores.
Samuel havia sido abordado na noite de domingo, por volta das 20h30, na região da Oscar Freire, um dos endereços mais nobres da capital paulista. De lá, foi levado para a Grande São Paulo, onde permaneceu sob cárcere privado enquanto a quadrilha tentava realizar movimentações financeiras.
A investigação da Divisão Antisequestro (DAS) avançou rapidamente graças à astúcia da vítima. Ao ser obrigado a ligar para casa, o juiz utilizou uma palavra-chave específica, sinalizando imediatamente que estava sob ameaça. Além disso, os criminosos tentaram forçar a entrada no apartamento do magistrado, fazendo-o ligar para o síndico do prédio para liberar o acesso de desconhecidos.
A polícia, ao chegar ao condomínio e não encontrar sinais de arrombamento, confirmou a suspeita de sequestro e iniciou o rastreamento que levou ao paradeiro do grupo.
Quadrilha desarticulada
A operação culminou na prisão de cinco suspeitos — três homens e duas mulheres — que foram encaminhados ao Palácio da Polícia, no centro de São Paulo. O juiz Samuel de Oliveira Magro já prestou depoimento e colabora com as autoridades para identificar se há outros integrantes envolvidos no esquema.
A ação contou com o apoio do Garra, do DOPE e da Divisão Antisequestro, sendo considerada um sucesso pela rapidez na localização da vítima, que saiu ilesa do episódio.
Reincidência e o 'golpe do amor'
Esta é a segunda vez que o magistrado é vítima de sequestro. Em 2021, Magro caiu no chamado "golpe do amor", conforme explicou Fabio Nelson, diretor da DAS. Na ocasião, a vítima acreditava que encontraria uma pessoa agendada por aplicativo de namoro, mas acabou rendida.
O diretor ressaltou que esse tipo de crime era frequente no período, com reféns mantidos em cativeiros próximos ao local da abordagem para a realização de transações bancárias. O crescimento do uso do Pix e a facilidade de transferências contribuíram para que, em 2022, o Estado de São Paulo registrasse o maior número de sequestros em 15 anos.
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