
Cabos submarinos no Ceará levam informação ao Brasil
Reprodução/Band
Diferente do que sugere o conceito popular de "nuvem", a engrenagem que sustenta a conexão global de internet está submersa. No Brasil, o Ceará se consolidou como o principal polo dessa rede complexa, concentrando mais de 90% dos dados que circulam pelo território nacional. Através de uma infraestrutura de cabos submarinos de fibra óptica, o estado funciona como uma "espinha dorsal" tecnológica, interligando o país com outros continentes.
Segundo Mariana Talouki, gerente regional substituta da Anatel, esses cabos subterrâneos e submersos são essenciais para o fluxo de informações que permite desde transações financeiras até o consumo de serviços de streaming. Grandes empresas de tecnologia, como Meta, Google e Amazon, dependem dessas rodovias digitais para garantir o tráfego massivo de dados em escala global.
Estrutura estratégica e refrigeração natural
Os cabos submarinos ficam instalados a quilômetros da faixa de areia, geralmente próximos a áreas portuárias, podendo estar enterrados ou apenas em repouso no leito marinho. Ao chegarem à terra firme, essas conexões são levadas a Data Centers em áreas de segurança máxima. O repórter Rafael Araújo, da Band Ceará, explica que o sistema opera de forma semelhante a plataformas de petróleo, utilizando a localização estratégica para facilitar a logística de dados.
Um fator crítico para a manutenção dessa rede é o controle de temperatura. Os equipamentos liberam uma quantidade significativa de calor e exigem sistemas de refrigeração robustos para evitar o superaquecimento, o que poderia colocar a integridade dos dados em risco. A infraestrutura instalada na Praia do Futuro, em Fortaleza, é o ponto nevrálgico de onde as informações são compartilhadas diretamente com a Europa, América do Norte e África.
Por que o Ceará?
A escolha de Fortaleza como centro desse hub tecnológico não é casual. De acordo com a Anatel, a localização geográfica do Ceará é privilegiada, oferecendo a menor distância latitudinal entre o Brasil e os mercados da Europa e dos Estados Unidos. Essa proximidade reduz a latência — o tempo de resposta na transmissão de dados — e torna o estado o ponto de entrada e saída ideal para a fibra óptica internacional.
Hugo Figueirêdo, presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), destaca que os equipamentos de ponta instalados no estado garantem que a tecnologia chegue ao consumidor final com eficiência. As condições geográficas e climáticas favoráveis continuam atraindo novos investimentos de empresas globais, consolidando a região como um dos maiores entroncamentos de internet do mundo.
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