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Falhas de segurança em estacionamentos facilitam sequestros-relâmpagos

Ausência de cancelas e falta de vigilância ativa em centros comerciais expõem clientes a riscos; lei garante responsabilidade das empresas por crimes.

Por Redação
REDAÇÃO

08/01/2026 • 18:41 • Atualizado em 08/01/2026 • 18:41

Mulher é sequestrada na saída de mercado e forçada a fazer Pix em SP

Mulher é sequestrada na saída de mercado e forçada a fazer Pix em SP

Reprodução/Jornal da Band

A recorrência de sequestros-relâmpagos em estacionamentos de lojas, shoppings e supermercados de São Paulo revela uma vulnerabilidade crítica na segurança desses estabelecimentos. A ausência de controle rigoroso na entrada e saída de veículos, somada à falta de abordagem preventiva por parte de vigilantes, cria um ambiente propício para a ação de criminosos.

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Testes realizados pela reportagem do Jornal da Band demonstram que, em diversos locais, é possível permanecer por longos períodos dentro de veículos ou circular pelas garagens sem qualquer tipo de contestação por parte da segurança privada.

Em uma incursão na Zona Sul de São Paulo, a equipe do Jornal da Band visitou uma loja de produtos para animais de estimação que possui garagem coberta, mas sem cancelas ou controle de acesso. Mesmo após 15 minutos de permanência dentro do carro e a circulação de um assistente técnico pelo pátio, nenhum funcionário ou segurança abordou a equipe.

O cenário se repete em supermercados: embora alguns possuam cancelas com emissão de tickets e vigilantes motorizados, a presença física não garante a interrupção de comportamentos suspeitos.

Falha na vigilância e responsabilidade legal

Um caso recente ilustra a gravidade do problema. Na última terça-feira, uma mulher foi rendida no estacionamento de um supermercado na capital paulista. Imagens de monitoramento registraram o momento em que dois bandidos abandonaram o veículo utilizado no crime após jogarem a vítima para fora do carro ainda em movimento.

Para Rafael Alcadipani, professor da FGV e especialista do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o episódio evidencia uma falha operacional clara. Ele explica que o comportamento de um cliente de supermercado é previsível: estacionar, realizar as compras e retornar ao veículo. A presença de indivíduos que permanecem dentro de um carro sem desembarcar deve ser interpretada como um alerta pela equipe de monitoramento, exigindo uma averiguação imediata.

Do ponto de vista jurídico, o Código de Defesa do Consumidor estabelece que o estabelecimento comercial que oferece estacionamento — seja ele pago ou gratuito — assume a responsabilidade civil por qualquer ocorrência no local. Isso inclui furtos, assaltos e sequestros. Adriana Araujo ressalta que avisos comuns colocados em placas, que tentam isentar a empresa de responsabilidade por objetos deixados no interior dos veículos, não possuem validade legal diante da justiça.

A sensação de insegurança é compartilhada por consumidores que utilizam esses espaços diariamente. Relatos de clientes indicam que a estrutura de câmeras e a presença de cercas não são suficientes para transmitir tranquilidade, especialmente quando o policiamento interno se mostra passivo diante de situações atípicas nos pátios.

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