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Estiagem atinge 68% do território brasileiro e agrava crise em 19 estados

Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste são as regiões mais afetadas; Sistema Cantareira opera abaixo de 20% e cidades gaúchas enfrentam um ano de racionamento

Da redação
DA REDAÇÃO

08/01/2026 • 19:27 • Atualizado em 08/01/2026 • 19:27

Estiagem atinge 68% do território brasileiro

Estiagem atinge 68% do território brasileiro

Reprodução/Band

A crise hídrica avança severamente pelo Brasil, atingindo agora 68% do território nacional. A estiagem, que apresenta níveis de agravamento em 19 estados, já provoca prejuízos diretos na produção agrícola e reduz reservatórios estratégicos a patamares críticos, especialmente nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.

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No Nordeste, a situação é alarmante, com 21% da região sob seca extrema. Já no Sudeste, o regime de chuvas rápidas e isoladas não tem sido suficiente para a recomposição dos mananciais. O Sistema Cantareira, um dos principais responsáveis pelo abastecimento da Grande São Paulo, voltou a operar em nível de alerta, com apenas 19,9% de sua capacidade.

Desequilíbrio climático e impacto nos reservatórios

A irregularidade das precipitações é um reflexo direto das mudanças climáticas. Segundo Carlos Bochuy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, o clima apresenta um comportamento de intempestividade, caracterizado por chuvas muito concentradas seguidas por longos períodos de "veranicos" — grandes intervalos sem qualquer pluviosidade.

Essa instabilidade reflete nos números de outros sistemas importantes:

  • Minas Gerais: O Sistema Paraopeba, que atende 3,5 milhões de pessoas na Grande Belo Horizonte, encerrou o último ano com apenas 46% de sua capacidade total.
  • Bahia: O Rio São Francisco permanece em cota de estiagem, dificultando a captação e o uso produtivo de suas águas.

O paradoxo gaúcho e o drama rural

O Rio Grande do Sul vive um cenário de contrastes. Após enfrentar enchentes históricas em 2024, diversas cidades convivem agora com a escassez severa. Em Hulha Negra, município de sete mil habitantes, a população enfrenta o racionamento de água há cerca de um ano.

A crise atinge com força as famílias que dependem da produção rural. Agricultores como Odair Batista da Silva e Lisiane, que cultivam hortaliças, veem seus açudes atingirem níveis críticos. A gravidade da seca levou produtores locais a abandonarem atividades como a pecuária leiteira após a perda de animais por falta de água. Em relatos emocionados, Odair destaca que, na ausência de caminhões-pipa, a água dos açudes — imprópria para o consumo — acaba sendo a única alternativa para a higiene pessoal da família.