
Groenlândia
REUTERS/Guglielmo Mangiapane/File Photo
A Groenlândia agradeceu, neste domingo (18), os países europeus por apoiarem a ilha do Ártico, mesmo com as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deseja anexar o território semiautônomo pertencente à Dinamarca
França, Alemanha, Grã-Bretanha e outros países europeus enviaram militares para a Groenlândia a pedido da Dinamarca, o que levou Trump a anunciar que passará a taxar mercadorias da Dinamarca e de outros sete países europeus a partir de fevereiro. A medida visa pressionar um acordo para a compra "completa e total" da ilha.
"Vivemos tempos extraordinários que exigem não apenas decência, mas também muita coragem", disse em comunicado a ministra do gabinete da Groenlândia, Naaja Nathanielsen, responsável pelos negócios, energia e minerais da ilha.
Países manifestam ao povo da Groenlândia
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Países Baixos, Noruega, Suécia e Reino Unido afirmaram que estão empenhados em fortalecer a segurança da Groenlândia.
“Como membros da OTAN, estamos empenhados em fortalecer a segurança do Ártico como um interesse transatlântico comum. O exercício dinamarquês pré-coordenado ‘Arctic Endurance’, realizado com os Aliados, responde a essa necessidade. Ele não representa nenhuma ameaça para ninguém”, disseram os países.
“Manifestamos nossa total solidariedade ao Reino da Dinamarca e ao povo da Groenlândia. Com base no processo iniciado na semana passada, estamos prontos para dialogar fundamentados nos princípios de soberania e integridade territorial que defendemos firmemente”, acrescentaram.
Segundo os países, as ameaças de tarifas “prejudicam as relações transatlânticas e representam um risco de uma espiral descendente perigosa”. “Continuaremos unidos e coordenados em nossa resposta. Estamos comprometidos em defender nossa soberania.”
UE convoca reunião de emergência
A União Europeia convocou uma reunião de emergência de embaixadores para este domingo (18) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas a países europeus caso não haja acordo para a compra da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca, segundo a agência Reuters.
O encontro reunirá representantes dos 27 países do bloco em Bruxelas e foi solicitado por Chipre, que exerce a presidência rotativa do Conselho da União Europeia. A intenção é definir uma resposta conjunta às declarações de Trump, que condicionou a política comercial americana a concessões territoriais envolvendo a ilha no Ártico.
Trump ameaça países da Europa
Trump afirmou que pretende aplicar tarifas de 10% sobre produtos importados de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia a partir de 1º de fevereiro. O presidente americano disse ainda que a alíquota pode subir para 25% em 1º de junho caso não haja avanço nas negociações para a aquisição da Groenlândia.
Trump declarou que as tarifas permanecerão em vigor “até que um acordo completo e total seja fechado”, vinculando explicitamente a política comercial à soberania sobre o território. A proposta foi rejeitada pelo governo dinamarquês e por autoridades da União Europeia.
Diplomatas europeus ouvidos pela Reuters classificaram a ameaça como uma forma de coerção política e alertaram que a imposição de tarifas pode provocar retaliações e comprometer a relação comercial entre os dois lados do Atlântico. A União Europeia é um dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos.
UE está preparada para defender seus interesses
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco está preparado para defender seus interesses econômicos e sua soberania. Já a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, disse que o uso de tarifas como instrumento de pressão desvia o foco de desafios globais compartilhados, como a guerra na Ucrânia, segundo a Reuters.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que “nenhuma forma de intimidação” mudará a posição da Europa em relação à Groenlândia, de acordo com o Guardian. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também criticou as declarações de Trump e disse que o futuro do território cabe exclusivamente à população local e à Dinamarca.
Com informações da Reuters
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