
Domingo de Ramos em Jerusalem
Divulgação/VaticanoNews
Em um episódio classificado como inédito e gravíssimo pelas autoridades religiosas, a polícia de Israel impediu o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, de realizar a celebração da missa de Domingo de Ramos na Basílica do Santo Sepulcro neste dia 29 de março de 2026.
O bloqueio à autoridade máxima da Igreja Católica na Terra Santa ocorre em meio a um cenário de guerra e restrições severas na Cidade Velha. O Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa emitiram uma nota oficial conjunta em que classificam a ação como um desrespeito sem precedentes ao "Status Quo" dos Lugares Santos.
"É a primeira vez em séculos que o Patriarca e o Custódio são impedidos fisicamente de acessar o local mais sagrado da cristandade para dar início às celebrações da Semana Santa", afirma o comunicado das instituições religiosas.
Justificativas de segurança e guerra
As autoridades policiais de Israel justificaram o impedimento com base em protocolos de segurança nacional e diretrizes da Defesa Civil. O argumento central é a escalada do conflito regional, intensificada em fevereiro deste ano, que impôs limites rígidos a aglomerações em áreas consideradas vulneráveis.
Segundo o governo israelense, a Basílica do Santo Sepulcro e as vias estreitas da Cidade Velha não possuem abrigos antiaéreos adequados para o fluxo de fiéis em caso de ataques. A polícia alegou que a medida visava proteger a vida dos civis e das próprias lideranças religiosas diante das ameaças de mísseis.
Entretanto, o Patriarcado rebateu as justificativas, pontuando que a celebração estava organizada de forma privada e restrita, respeitando os limites de público previamente acordados.
Crise diplomática com o Vaticano
O incidente gerou uma reação imediata do Vaticano e de órgãos internacionais de direitos humanos. O impedimento de Pizzaballa é visto como um golpe na liberdade de culto, uma vez que o Domingo de Ramos é uma das datas mais significativas do calendário cristão, simbolizando a entrada de Jesus em Jerusalém.
"Fomos detidos no caminho e obrigados a retornar, o que resultou no cancelamento da celebração oficial. Consideramos a medida manifestamente descabido e desproporcional", declarou o Padre Francesco Ielpo, da Custódia da Terra Santa.
Com a proibição da tradicional procissão e o bloqueio das lideranças católicas, o clima em Jerusalém permanece de extrema tensão. Especialistas indicam que este episódio pode abalar profundamente as relações diplomáticas entre o Estado de Israel e a Santa Sé, que historicamente atua como mediadora em conflitos na região.
Governo brasileiro se pronuncia
O Governo brasileiro condenou, neste domingo (29), a ação da polícia israelense de impedir acesso do Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, e do Custódio da Terra Santa, Monsenhor Francesco Ielpo, à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém Oriental. Em nota, o governo afirma:
"Essa ação ocorre na sequência da imposição, por autoridades israelenses, ao longo das últimas semanas, de restrições à entrada de fiéis cristãos no referido santuário, assim como de fiéis muçulmanos, durante o Ramadã, na Esplanada das Mesquitas (“Haram Al-Sharif”), também em Jerusalém Oriental.
Ao registrar a extrema gravidade de tais ações recentes, contrárias ao status quo histórico dos sítios sagrados cristãos e islâmicos de Jerusalém e ao princípio da liberdade de culto, o Brasil recorda o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024, o qual concluiu que a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita e que aquele país não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental."
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